O embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, disse que o país apoia o diálogo entre a China e a ilha de Taiwan –território que é ponto de discordância entre os países. Segundo o diplomata, as relações entre Tóquio e Taipei não são governamentais, sendo exclusivamente “comerciais e culturais”.
Em entrevista ao Poder360, Noguchi também afirmou que o Japão está disposto a resolver os desgastes diplomáticos com Pequim. A relação entre os países –que é historicamente sensível– piorou após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi (Partido Liberal Democrático, direita), declarar que defenderia o governo separatista da ilha no caso de uma invasão chinesa.
“Sempre estamos abertos à China para resolver discrepâncias, problemas ou diferenças. Então, queremos solucionar dessa maneira e queremos ter relações mais estáveis. [Há] muitos benefícios entre Japão e China”, afirmou o embaixador japonês.
Assista à íntegra da entrevista (20min):
Segundo o diplomata, o governo japonês está disposto a conversar com o país vizinho para impulsionar uma reaproximação diplomática. A China, no entanto, têm adotado um tom duro após as declarações de Takaichi sobre Taiwan.
Na 3ª feira (24.mar), o Ministério das Relações Exteriores da China culpou a primeira-ministra pelo desgaste diplomático entre os países. O domínio da ilha é um tópico inegociável para Pequim, que só deve retomar o diálogo com o Japão caso ela se desculpe pelas falas.
“Estamos a dialogar. Nossa porta está aberta a dialogar com a China, então sempre estamos dispostos a solucionar diferenças através de diálogo”, disse Noguchi.
Japão mira avanço da parceria com Brasil
Em entrevista ao Poder360, Yasushi Noguchi declarou que a relação entre os 2 países vive uma fase de expansão econômica impulsionada pela busca japonesa por “segurança econômica” e por maior resiliência nas cadeias de suprimentos. Segundo ele, o Brasil ganhou relevância estratégica nesse cenário por combinar “estabilidade democrática” e “abundância” de recursos naturais.
O movimento se dá no contexto de reorganização das cadeias globais, pressionadas por tensões recentes –como a alta do preço do petróleo após tensões no estreito de Ormuz, a disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de minerais críticos e a maior incerteza na política comercial norte-americana– que têm levado países como o Japão a reduzir a dependência de poucos fornecedores em setores estratégicos.
Noguchi destacou avanços em duas frentes principais. São elas:
- exploração de minerais críticos do Brasil pelo Japão;
- processo de abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira.
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