Espécie vulnerável à extinção foi resgatada em área rural com indícios de domesticação

FOTOS: José Narbaes/Ipaam
Um macaco-barrigudo (Lagothrix cana), espécie classificada como vulnerável à extinção, foi resgatado pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) nesta segunda-feira (30/03), no km 26 da BR-174, em Manaus, após permanecer por cerca de um mês em um sítio da região, onde foi mantido sob cuidados provisórios do caseiro.
O animal, uma fêmea apelidada de “Chica”, apresentava comportamento dócil e habituado à presença humana, o que levantou a suspeita de que tenha sido mantido anteriormente em cativeiro. Segundo relato, a primata surgiu na propriedade já com uma corda presa ao corpo e, durante o período em que permaneceu no local, passou a receber alimentação com frutas e a permanecer na área da residência.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, destaca que o acionamento do órgão pela população é fundamental para garantir o resgate seguro e a destinação adequada de animais silvestres, especialmente em casos que envolvem indícios de domesticação ou impossibilidade de retorno imediato à natureza. A medida assegura que os procedimentos técnicos sejam adotados conforme as normas ambientais estabelecidas.
“A atuação da população é fundamental nesse processo. Ao identificar um animal silvestre fora do seu habitat ou em situação atípica, é essencial acionar o Ipaam. Esse cuidado evita riscos tanto para o animal quanto para as pessoas e garante que o resgate e a destinação sejam realizados de forma técnica e responsável”, afirmou.
O biólogo da Gerência de Fauna do Ipaam, Gilson Tavernard, explicou que o resgate do animal apresentou características atípicas, tanto pelo local de difícil acesso quanto pelo comportamento do primata, que já demonstrava adaptação ao convívio humano. Segundo ele, a atuação contou com o apoio do responsável pelo imóvel e seguiu os protocolos técnicos de destinação da fauna silvestre.
“Foi um resgate incomum, em uma área de difícil acesso, com cerca de oito quilômetros de ramal. O animal já apresentava comportamento dócil e estava habituado ao contato com pessoas, o que indica possível criação em cativeiro. Após o resgate, ele é encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde passa por avaliação clínica e período de quarentena, para que, havendo condições, possa ser reintegrado ao seu habitat natural”, destacou o biólogo.

FOTOS: José Narbaes/Ipaam
Sobre a espécie
O macaco-barrigudo é um primata típico da região amazônica, com hábitos arborícolas e dieta baseada principalmente em frutos, folhas e sementes. A espécie desempenha papel fundamental na dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração e manutenção dos ecossistemas florestais.
A espécie enfrenta pressões como a perda de habitat e a captura ilegal para criação em cativeiro, fatores que impactam sua conservação. A retirada desses primatas da natureza compromete seu comportamento natural e reduz suas chances de sobrevivência, além de causar impactos ao equilíbrio ambiental.

FOTOS: José Narbaes/Ipaam
Destinação do animal
Após o resgate, o animal foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde passou por avaliação clínica realizada por médicos-veterinários e biólogos. Nesse processo, foram analisadas as condições de saúde, o comportamento e possíveis sinais de domesticação.
O primata permanece em período de quarentena, conforme protocolos técnicos, e, caso não apresente doenças ou impedimentos, poderá ser reintegrado ao seu habitat natural ou destinado a local adequado, de acordo com avaliação dos órgãos ambientais competentes.
Como acionar o resgate
O Ipaam orienta que, ao identificar animais silvestres em áreas urbanas, a população não realize a captura ou manipulação. O resgate deve ser solicitado à Gerência de Fauna, por meio do WhatsApp (92) 98438-7964, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, com o envio de informações e a localização do animal.
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