Por Márcia Seixas de Castro Bader
Quando se fala em Amazônia, logo vem à mente a presença da floresta e do maior rio do mundo, tanto em extensão quanto em volume. A água presente nesse rio não é apenas um recurso natural, mas um eixo que sustenta a vida, a cultura e a biodiversidade. Apesar de toda essa beleza e de sua importância para o ecossistema, o ser humano continua a poluir e a utilizar de forma inadequada os recursos hídricos, causando impactos significativos sobre a fauna amazônica.

Desde o ano de 2023, a seca na Amazônia vem se intensificando, reduzindo drasticamente o nível dos rios na região de Manaus e no interior do Amazonas. Esse fenômeno tem provocado graves impactos sobre os animais silvestres que dependem da água para sobreviver. Peixes ficam presos em trechos isolados dos rios, quelônios perdem áreas de desova, e mamíferos como antas, capivaras e macacos percorrem longas distâncias em busca de água, muitas vezes se aproximando de áreas urbanas, onde ficam expostos a atropelamentos, maus-tratos e à morte.
Em outros períodos, ocorre a cheia e, com ela, surgem novos problemas. O avanço desordenado das águas, intensificado pelo desmatamento e pela ocupação irregular das margens dos rios, provoca a perda de habitats naturais. Muitos animais não conseguem escapar a tempo, enquanto outros são obrigados a se deslocar para áreas habitadas, gerando conflitos e sofrimento tanto para a fauna quanto para as comunidades locais.
Além desses fenômenos, que têm se intensificado devido ao avanço dos problemas ambientais, como o desmatamento e as queimadas, há ainda a poluição dos rios, igarapés e igapós, que aumenta a cada dia de forma alarmante. O descarte irregular de lixo, o lançamento de esgoto sem tratamento e a contaminação por diversos resíduos transformam cursos d’água em ambientes impróprios para a vida. Peixes, aves aquáticas e pequenos mamíferos são diretamente afetados, comprometendo todo o equilíbrio ecológico. Além disso, a degradação da água impacta também os animais domésticos, especialmente em áreas periféricas, onde o acesso à água limpa ainda é limitado.
Cuidar da água é cuidar dos animais. Não existe bem-estar animal sem acesso à água potável e em quantidade suficiente. A proteção dos recursos hídricos deve ser vista como uma política de proteção da fauna e da saúde pública. Investir em saneamento básico, preservação das margens dos rios, educação ambiental e fiscalização é essencial para garantir a sobrevivência das espécies que fazem da Amazônia um patrimônio natural único no mundo.
Vamos nos unir e dar voz àqueles que não conseguem pedir socorro. Proteger os rios, igarapés e nascentes é garantir um futuro mais equilibrado, saudável e justo para a fauna amazônica e para as próximas gerações.
Sobre a autora
Marcia Seixas de Castro Bader, Doutora em Biotecnologia (UFAM), mestre em Biotecnologia e Produtos Naturais (UEA), Médica Veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária na Faculdade Martha Falcão Wyden.
