Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, o salmista Davi guiado por Deus Espírito Santo já falou a respeito do sofrimento de Cristo, dizendo: “(1) Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Por que ficas tão longe? Por que não escutas quando grito pedindo socorro? (2) Meu Deus, durante o dia eu te chamo, mas tu não respondes. Eu te chamo de noite, mas não consigo descansar. (Sl 22.1-2 – NTLH).”
Nesta Sexta-feira Santa nos reunimos em espírito de reverência, silêncio e profunda contemplação, afinal de contas quão terrível é o pecado que nós seres humanos trouxemos ao mundo. Este não é um dia comum, este é o dia que os céus se abriram para revelar que justiça divina não pode ser alcançada por obras e favores humanos por mais interessantes e valorosos que sejam, mas somente por graça e misericórdia que vem do próprio Deus. Este é o dia em que a igreja se coloca aos pés da cruz. O dia em que somos chamados não apenas a ouvir, mas a contemplar, e meditar no fundo da alma a respeito do que Jesus fez por nós. Então, em estafa mental exclamar: Que amor é esse? Que Deus é esse que aceita morrer por que não merece? Que Deus é esse que sempre existiu e ninguém pode entender seus desígnios? Que Deus poderoso é esse que não tem vergonha de pessoas inúteis? E ainda se perguntar: Quão valorosos sou eu para que alguém se importe comigo? E ainda perguntar: Como posso aceitar e crer? Então, desguarnecidos dos nossos mais profundo e sinceros egoísmos dizer em sinal de arrependimento: Senhor, tu que morrestes em meu lugar, não me lances fora da tua presença, para que eu desfrute maravilhado e em estado de graça esta salvação. Pois não basta apenas compreender, mas é preciso que nós nos render diante do mistério do amor de Deus revelado em sofrimento. Por isso, ao olharmos hoje, olhamos para Jesus Cristo crucificado. O Deus que morreu. Sim! “Jesus – o sacrifício perfeito.”
Mas essa perfeição não pode ser compreendida sem antes encararmos a realidade do pecado. Pois a cruz não é apenas uma demonstração de amor — ela é, antes de tudo, a prova de que o pecado é algo terrível, devastador e mortal.
Vivemos em um tempo em que o pecado é relativizado. O que Deus chama de errado, o mundo muitas vezes chama de normal. O que a Palavra condena, a sociedade celebra. E, pouco a pouco, o ser humano vai perdendo a sensibilidade espiritual, deixando de perceber o quão grave é viver afastado de Deus. E muitas vezes na igreja não é diferente: a Palavra é pregada, e aí vem as desculpas: Mas, agora vivemos em uma época diferente. Não se pode mais considerar isso ou aquilo errado, é preciso relevar para que as pessoas não saiam da igreja. Esse pensamento é errado e só traz, desgraça para a vida das pessoas. É preciso encarar de frente e se assumir pecador para que o Espírito Santo enviado por Jesus a nós nos moldes de inimigos em amigos de Deus.
Todavia, a cruz rompe essa ilusão. Ela nos mostra que o pecado não é pequeno. Ele não é apenas um deslize. Ele é rebeldia contra Deus. Ele é ruptura. Ele é morte. E se o pecado é tão grave, então o sacrifício que o resolve precisa ser perfeito. E é exatamente isso que encontramos em Jesus.
O clamor da cruz: o peso do pecado revelado: O Salmo 22 nos conduz diretamente ao cenário da cruz. Embora tenha sido escrito séculos antes de Cristo, ele descreve com impressionante precisão o sofrimento do Messias. O salmo começa com um grito que ecoa na eternidade: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Sl 22.1 – NTLH). Essas palavras são pronunciadas pelo próprio Jesus na cruz. Não são palavras simbólicas. São reais. São profundas. São dolorosas. É o clamor de Deus Filho ao seu Pai, que para resgatar-nos permitiu que o seu Filho fosse morto na cruz.
Aqui vemos algo que vai além da dor física. Jesus experimenta o abandono. Ele sente o peso da separação. Ele carrega sobre si algo que nunca havia experimentado: o peso do pecado da humanidade. O salmo continua descrevendo o desprezo: “Todos os que me veem caçoam de mim; fazem caretas e balançam a cabeça.” (Sl 22.7 – NTLH). E ainda: “Repartem as minhas roupas entre si e tiram sortes pela minha túnica.” (Sl 22.18 – NTLH). Essas palavras se cumprem literalmente em João 19. Os soldados zombam, dividem suas roupas, tratam o Filho de Deus com desprezo. Mas precisamos entender: isso não é apenas uma tragédia humana. É o cumprimento do plano de Deus para lidar com o pecado, agora é possível entender perfeitamente a promessa feita por Deus a Adão e Eva em Gênesis 3.15: “Eu farei com que você e a mulher sejam inimigas uma da outra, e assim também serão inimigas a sua descendência e a descendência dela. Esta esmagará a sua cabeça, e você picará o calcanhar da descendência dela.”
O pecado nos separa de Deus. E, na cruz, Jesus assume essa separação. O pecado é tão grave que exige esse tipo de sofrimento. E isso deve nos levar a uma reflexão sincera: não podemos brincar com o pecado. O pecado destrói vidas, destrói famílias, destrói a alma. Ele endurece o coração, cega os olhos espirituais e afasta o ser humano de Deus. Tiago também escreveu a respeito dizendo: “(14) Mas as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos. (15) Então esses desejos fazem com que o pecado nasça, e o pecado, quando já está maduro, produz a morte. (Tg 1.14-15 – NTLH).”
- O Servo Sofredor: o substituto perfeito: O profeta Isaías, no capítulo 53, nos oferece uma das descrições mais profundas da obra de Cristo. “Mas ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades.” (Is 53.5 – NTLH). Aqui está o coração do evangelho: substituição. Jesus não sofre por acaso. Ele sofre por nós. Cada pecado cometido, cada falha, cada rebeldia — tudo isso foi colocado sobre Ele. Isaías continua: “Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu.” (Is 53.5 – NTLH)
Isso significa que a nossa cura espiritual veio através do sofrimento de Cristo. E mais: “O Senhor fez cair sobre ele o castigo por causa dos pecados de todos nós.” (Is 53.6 – NTLH). Aqui vemos a ação direta de Deus. Não foi apenas a maldade humana que levou Jesus à cruz. Foi o próprio Deus que colocou sobre Ele o peso do pecado do mundo. E Jesus aceita isso voluntariamente: “Ele foi maltratado e humilhado, mas não disse uma só palavra.” (Is 53.7 – NTLH). Ele é como um cordeiro levado ao matadouro. Silencioso. Submisso. Determinado. Isso revela a perfeição do seu sacrifício. Ele não foi forçado. Ele se entregou. Jesus suportou por amor a nós e por nós morreu. Nessas horas, é preciso que nós nos questionemos: como somos valiosos, dinheiro nenhum nos para, prova disso é o que Deus fez por nós morrendo por pecadores. Mas também, é hora de dizer: que miserável que sou, me vendi por uma mentira do diabo. Com isso fica o alerta: cuidado com as aparências de bondade que o mundo oferece. Cuidado, é preciso cuidado e examinar tudo a luz das escrituras. - A obediência que salva: A carta aos Hebreus nos ajuda a entender o interior desse sofrimento: “Nos dias em que viveu aqui na terra, Jesus fez orações e pedidos com fortes gritos e lágrimas…” (Hb 5.7 – NTLH). Jesus não foi um herói insensível. Ele sentiu profundamente. Ele orou. Ele chorou. Ele sofreu. Mas, mesmo assim, Ele permaneceu obediente: “Ele aprendeu a ser obediente por meio dos seus sofrimentos.” (Hb 5.8 – NTLH). Isso significa que Ele levou a obediência até o limite extremo. E essa obediência tem um resultado glorioso: “Assim, ele se tornou a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem.” (Hb 5.9 – NTLH). Jesus é o sacrifício perfeito porque Ele foi perfeitamente obediente. Onde Adão falhou, Ele venceu. Onde nós falhamos diariamente, Ele permaneceu fiel. Onde nós desistimos de perseverar, Ele foi até o fim por amor de nós.
- A cruz: o momento decisivo da história: No Evangelho de João, vemos os acontecimentos da crucificação: “Jesus carregou a sua cruz e saiu para o lugar chamado ‘Lugar da Caveira’.” (Jo 19.17 – NTLH). Ele carrega a cruz. Ele caminha em direção ao sofrimento. Ele não foge. Ali, Ele é crucificado. O tilintar do martelo cortaram a carne divina. Os pregos atravessam suas mãos e pés. Seu corpo é levantado. Ele é exposto à vergonha e à dor. E então, no momento final: “Quando acabou de tomar o vinho, Jesus disse: ‘Está terminado!’ E morreu.” (Jo 19.30 – NTLH). Essas palavras são a chave para entendermos tudo. “Está terminado.” A dívida foi paga. O sacrifício foi completo. A obra foi concluída. Nada precisa ser acrescentado. Não há espaço para mérito humano. Tudo foi feito por Cristo.
Por isso, te convido a imaginar a cena de um tribunal. Um homem está sendo julgado. As provas contra ele são incontestáveis. Ele é culpado. A sentença é justa: condenação. Não há defesa possível. Não há argumento que o salve. Mas então, algo inesperado acontece. Alguém se levanta e diz: “Eu assumo a culpa. Eu pago a pena.” E o juiz aceita. O culpado é declarado livre — não porque era inocente, mas porque outro tomou o seu lugar. Isso é exatamente o que aconteceu na cruz. Nós éramos culpados. A condenação era justa. Mas Jesus assumiu o nosso lugar. Ele recebeu a sentença que era nossa. E, por isso, nós somos livres. - O perigo de ignorar o sacrifício: Por isso aqui precisa ser dito algo muito importante e com clareza: O maior perigo não é apenas o pecado — é rejeitar o sacrifício de Cristo. A cruz é suficiente para todos, mas só é eficaz para aqueles que creem. Ignorar Cristo é permanecer na condenação. E isso tem consequências eternas. E agora também é preciso que se diga com clareza: não adianta você se justificar, ninguém é desculpável, diz o Apóstolo Paulo: “(19) Deus castiga essas pessoas porque o que se pode conhecer a respeito de Deus está bem claro para elas, pois foi o próprio Deus que lhes mostrou isso. (20) Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma.” Por isso, o pecado é tão perigoso e temos que ficar ligados a Cristo do Começo ao fim. Visto que sem Jesus, o pecado nos destrói nesta vida, mas também compromete a eternidade.
- Ainda há salvação — mas o tempo é agora: Não se desespere. A mensagem da cruz também é uma mensagem de esperança. Mesmo na iminência da morte, ainda pode haver salvação. Isso nos lembra que a graça de Deus alcança até os últimos momentos. Mas isso não deve nos levar a adiar a decisão. Porque ninguém sabe o dia nem a hora. A vida é frágil. O tempo é incerto. Por isso, a melhor decisão é confiar em Cristo hoje. Estar seguro em Jesus agora.
- Segurança em Cristo: a única esperança: Por isso, em vez de colocar a sua segurança em coisas passageiras: dinheiro, saúde, posição social. Mas tudo isso pode desaparecer. A única segurança verdadeira está em Cristo. Ele é o sacrifício perfeito. Ele é o Salvador completo. Ele é a única esperança segura para a vida e para a eternidade.
Queridos irmãos, hoje olhamos para a cruz e vemos o centro da nossa fé. Vemos o peso do pecado. Vemos a profundidade do amor de Deus. Vemos o sacrifício perfeito de Jesus. Ele sofreu por nós. Ele morreu por nós. Ele venceu por nós. E ao dizer “Está terminado”, Ele declarou que tudo está pronto. Agora, a salvação é oferecida a você. Receba-a pela fé. Confie em Cristo. Abandone o pecado. E viva na certeza de que, por causa de Jesus, você está seguro — hoje e para sempre. Amém.
Ops! É por isso tudo que, hoje, nós celebramos a Páscoa, pois o Sacrifício de Cristo nos conferiu, a Salvação, pois venceu ao pecado, o diabo, a morte e a sua vitória, a Ressurreição, também agora nos é imputada por amor e justiça.
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