A primeira-dama Janja Lula da Silva tem priorizado compromissos relacionados a pautas femininas. O tema é considerado prioritário pelo governo, sobretudo em ano eleitoral. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, hoje, 53% do eleitorado brasileiro é composto por mulheres.
Dos 124 compromissos divulgados por Janja de 4 de outubro de 2025 a sábado (4.abr.2026) —6 meses antes das eleições—, 31 foram ligados a mulheres. Outros 22 foram ligados ao meio ambiente e 19 a encontros com autoridades estrangeiras.

O levantamento leva em consideração a agenda publicada pela primeira-dama em seu perfil do Instagram e no e-Agenda (atualizado até 26 de fevereiro deste ano).
Janja passou a divulgar seus compromissos pelas redes sociais em 3 de fevereiro de 2025, depois de ser criticada pela falta de transparência e sigilo sobre sua agenda. Apesar de ser uma figura pública, a primeira-dama não exerce cargo oficial no governo.
Ao longo do 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Janja manteve uma agenda paralela à do petista. Incluindo viagens internacionais, foram 13 dias fora do Brasil em 2026. Desses, passou 8 dias na Ásia (17 a 25 de fevereiro) para acompanhar o Fórum Empresarial Brasil-Coreia. Chegou à Coreia do Sul dias antes de Lula e participou de compromissos como encontros com influenciadores brasileiros que vivem no país.

Janja tem se posicionado frequentemente a favor de causas sociais, principalmente em relação às mulheres.
A primeira-dama foi apontada como articuladora do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio e governistas já afirmaram que o endurecimento do discurso de Lula contra a violência de gênero começou depois de pedidos de Janja.
Em dezembro de 2025, o presidente disse que viu a primeira-dama chorar ao acompanhar a onda de casos de feminicídio. Houve recorde de crimes violentos contra mulheres.
“Eu acordei domingo para tomar café e no café a Janja começou a chorar. Ontem, ela voltou a chorar. E hoje, no avião, ela pediu para mim: ‘Ô Lula, assuma a responsabilidade de uma luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher no planeta Terra’”, afirmou.
O petista passou a cobrar que homens assumam a responsabilidade frente à violência de gênero. Disse que orientou seus ministros a se manifestarem sobre a questão em discursos e mobilizações.
Outro tema presente na agenda de Janja é a proteção ao meio ambiente. Durante a COP30, conferência do clima organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em novembro em Belém (PA), a primeira-dama foi escolhida como enviada especial para temas relacionados às mulheres. Teve um papel de destaque na conferência, inclusive em relação a chefes de outros poderes.
O combate à fome é outra prioridade para a primeira-dama. Além de comparecer a eventos como o Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e se reunir com o diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), Qu Dongyu, ela foi nomeada Campeã da Igualdade Social pela FAO em março deste ano.
Ao entregar o reconhecimento, Qu Dongyu citou o compromisso dela com a igualdade social e a luta contra a fome no mundo. Com o título, Janja assume a missão de divulgar os esforços científicos da organização e ampliar a conscientização global sobre a erradicação da fome e da pobreza.
JANJA NO GOVERNO
Em abril de 2024, Janja afirmou que exerce o papel de articuladora no governo, com aval do presidente. Em entrevista à BBC, declarou: “Meu papel é de articuladora, de quem fala sobre políticas públicas. Podemos [Lula e Janja] estar em espaços diferentes e conversar com públicos diferentes quando necessário”.
Questionado pelo Poder360 qual seria o papel de Janja na campanha de reeleição de Lula, o presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, declarou que ela é uma “liderança” e que não é “o modelo de primeira-dama tradicional”. Apesar disso, disse que a primeira-dama não participará da coordenação da campanha do petista.
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