Encerra às 21h desta 3ª feira (7.abr.2026), no horário de Brasília, o prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã aceite reabrir o estreito de Ormuz e concorde com um cessar-fogo no Oriente Médio.
O discurso oficial dos norte-americanos é que estão preocupados com a interrupção do tráfego de petróleo na região e com o avanço do programa nuclear iraniano.
Segundo Trump, caso o Irã não atenda às duas exigências, as Forças Armadas dos Estados Unidos bombardearão usinas de energia e pontes no país asiático –prejudicando sua infraestrutura de modo irreversível.
A principal ameaça de Trump é destruir a estrutura energética do Irã, o que seria, segundo o presidente norte-americano, uma forma de intensificar a pressão sobre o governo iraniano.
O Irã, no entanto, permanece irredutível. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que “mais de 14 milhões de iranianos” estariam prontos para “sacrificar suas vidas” na defesa do país.
Até esta 3ª feira, segundo o Crescente Vermelho do Irã (IRCS, organização humanitária equivalente à Cruz Vermelha) e o Iran International (veículo de mídia que se apresenta como independente), os militares norte-americanos, com apoio de aliados na região, destruíram cerca de 117 mil estruturas não-militares no Irã, incluindo unidades comerciais, residenciais, de saúde, escolas e uma instalação de água.
ATAQUE ÀS ESTRUTURAS DE ENERGIA
No total, o Irã tem 477 usinas que totalizam 78.439 MW de energia, de acordo com o site Open Infrastructure Map, que compila dados globais de infraestrutura. Muitas delas têm capacidade de produção pequena. As principais ficam localizadas no norte e no centro do país.
O Irã tem fontes energéticas variadas: usinas termoelétricas a gás, hidrelétricas e nuclear. De acordo com dados da IEA (Agência Internacional de Energia), mais da metade do consumo final de energia no país é de gás natural. Os produtos petrolíferos abrangem 29% do consumo total.
Caso os Estados Unidos destruam as usinas de energia do Irã, as estruturas mais afetadas seriam as residenciais. A indústria e os transportes do país também seriam paralisados, o que comprometeria a infraestrutura inteira do território –minando sua economia por meio da limitação na produção industrial, importações e exportações. Nesta 3ª feira, iranianos formaram correntes humanas em instalações infraestruturais para protestar contra as ameaças norte-americanas.
A resposta do regime iraniano tem sido a interrupção do tráfego no estreito de Ormuz –por onde cerca de 20% do petróleo no mundo é escoado. Teerã tem cobrado US$ 2 milhões por embarcação que transita pelo lado iraniano, próximo à ilha de Qeshm.
Entenda o impacto do fechamento de Ormuz (2min18s):
Trump já disse que não aceitará um acordo em que o Irã tenha controle e imponha um pedágio no canal. Segundo ele, apenas os Estados Unidos têm o direito de controlar e cobrar impostos sobre os navios que atravessam o estreito.
OPERAÇÕES DOS EUA
Em pronunciamento à nação em 1º de abril, o republicano afirmou que a operação norte-americana no Oriente Médio está “quase completa”, mas que se intensificaria no prazo de 3 semanas.
A administração republicana justifica a Operação Epic Fury como uma resposta à busca iraniana por armas nucleares, afirmando que a ofensiva já teria reduzido significativamente a capacidade bélica do país. Trump criticou diversas vezes o acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo do então presidente Barack Obama (Partido Democrata), classificando-o como ineficaz.
Na 2ª feira (6.abr), os governos do Irã e dos Estados Unidos recusaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão. O regime iraniano enviou uma resposta oficial ao governo paquistanês e apresentou uma contraproposta. Washington considerou que o documento iraniano representa um avanço, mas ainda é insuficiente.
Na manhã desta 3ª feira, o mandatário disse que “uma civilização inteira” pode ser destruída, às vésperas do prazo para que o Irã aceite condições ligadas à reabertura do estreito de Ormuz.
CRIMES DE GUERRA
De acordo com o índice “Elements of Crimes” publicado TPI (Tribunal Penal Internacional), as ações militares coordenadas por Trump podem se enquadrar em diferentes crimes de guerra. Eis a íntegra do documento (PDF, em inglês – 251 kB).
Caso o presidente decida prosseguir com ações que penalizem diretamente os civis iranianos, os atos podem ser considerados infrações previstas nos seguintes artigos:
- Artigo 8 (2) (B) (II) – Crime de guerra: ataque contra bens civis
Configura crime quando alguém realiza um ataque deliberadamente direcionado a bens civis (ou seja, que não são alvos militares), no contexto de um conflito armado internacional, também com conhecimento da existência do conflito.
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Artigo 8 (2) (B) (V) – Crime de guerra: ataque a locais indefesos
Configura crime quando alguém ataca cidades, vilas, residências ou edifícios que não oferecem resistência, ou seja, que estão abertos à ocupação e não constituem alvos militares, no contexto de um conflito armado internacional, tendo consciência dessa situação.
POPULARIDADE DE TRUMP
O presidente persiste na guerra a custo de sua própria popularidade dentre os norte-americanos. Sua aprovação oscilou 2 pontos percentuais para baixo em 1 mês e chegou a 36%. É o nível mais baixo desde o início de seu 2º mandato, segundo pesquisa da Reuters em parceria com a Ipsos divulgada em 24 de março.

Dentre os entrevistados, 35% aprovam a ação militar no Irã, enquanto 61% desaprovam.
A alta dos combustíveis passou a influenciar a percepção econômica, com o preço médio da gasolina subindo após um mês dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, o preço médio da gasolina nas bombas norte-americanas subiu cerca de 35%.
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