O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta 3ª feira (7.abr.2026) com ministros para tratar de ações voltadas à redução do endividamento, sem anúncio formal. O Ministério da Fazenda apresentou o “1º desenho”, ainda sem data para apresentação.
O governo estuda retirar encargos em renegociações e permitir o uso de crédito para quitação de dívidas. Também considera incluir medidas sobre apostas on-line em um eventual pacote, ainda sem formato definido.
Participaram do encontro no Palácio do Planalto o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e os ministros Luiz Marinho (Trabalho), Miriam Belchior (Casa Civil), Esther Dweck (Gestão), Bruno Moretti (Planejamento) e o secretário Guilherme Mello.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, informou que também esteve na reunião.
O novo Desenrola
Para pessoas físicas, a equipe discute um novo modelo de renegociação nos moldes do Desenrola, com participação de bancos e fintechs. A ideia é ampliar o acesso e evitar novo ciclo de inadimplência.
O programa deve focar em dívidas mais caras, como rotativo do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.
O desenho estabelece descontos, juros menores e garantia pública para reduzir o risco das operações – quando o governo cobre parte do risco em caso de inadimplência. Estão em estudo abatimentos elevados em torno de 80%, mas os percentuais ainda não foram fechados.
O governo também afirma querer restringir o acesso a apostas online para quem aderir ao programa. A medida funcionaria como contrapartida para evitar que beneficiários voltem a se endividar.
A equipe avalia ainda o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia para pagamento das parcelas. A medida está em discussão no Ministério do Trabalho e depende da análise sobre o impacto no fundo em caso de inadimplência.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, já disse que o uso do FGTS como garantia no Crédito do Trabalhador –o consignado para empregados da iniciativa privada– só estará disponível em junho, quando o Serpro e a Dataprev viabilizarem o sistema com os bancos e empregadores.
As propostas foram demandadas por Lula e vêm sendo discutidas com o sistema financeiro.
“A gente sempre foi contra o cassino, sob o argumento de que cassino é jogo de azar. O que aconteceu no governo passado? Eles levaram cassino para dentro da nossa casa, para os filhos da gente utilizar nos nossos telefones e fazer jogatina o dia inteiro”, afirmou Lula em 20.jan.2026
Aumento do consumo
O Planalto quer reativar o consumo em ano eleitoral. Em reuniões, Durigan tem defendido o reforço de instrumentos de alívio financeiro às famílias e medidas para mitigar o impacto do diesel sobre a inflação.
O presidente Lula, por sua vez, afirma recorrentemente que é preciso “colocar o pobre no orçamento”. O petista passou a defender de forma mais direta a necessidade de enfrentar o alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Ele associa o tema à retomada do crescimento.
O movimento do governo ao discutir restrições a apostas dentro do pacote contra o endividamento reforça uma estratégia política já adotada pelo presidente: associar o avanço das bets ao governo anterior e, ao mesmo tempo, se apresentar como responsável pela regulação do setor.
Em janeiro, Lula atribuiu ao governo de Jair Bolsonaro (PL) a expansão das apostas no país, afirmando que a gestão anterior levou o “cassino para dentro das casas” dos brasileiros por meio dos celulares. O discurso tem sido combinado com a defesa de maior controle sobre o setor.
Uma medida provisória editada nesta 2ª feira (6.abr.2026) destina parte da arrecadação das apostas para o Fundo de aparelhamento da PF (Polícia Federal).
O repasse será gradual e pode chegar a 3% da receita nos próximos anos, além de prever aporte de até R$ 200 milhões do Tesouro.
Powered by WPeMatico
