O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), pré-candidatos à Presidência, ao comentar as disputas em torno dos minerais críticos e das terras raras brasileiras. “Essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir”, disse Lula em entrevista ao ICL Notícias, realizada no Palácio do Planalto.
O presidente reagiu à participação de Flávio na CPAC (Conservative Political Action Conference), conferência conservadora realizada em março no Texas. Na ocasião, Flávio afirmou que o Brasil “vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido” e se colocou como solução para reduzir a dependência americana da China em minerais estratégicos.
“O Flávio Bolsonaro quer dar para os Estados Unidos o material bruto”, disse Lula. “Ele quer vender para os Estados Unidos, sabe, uma coisa que é tão importante para o Brasil. É como se eu pegasse o petróleo e falasse: o petróleo vai ser dos Estados Unidos. É uma vergonha.”
O presidente também criticou Caiado, mencionando o acordo firmado em Goiás com empresa americana envolvendo recursos que pertencem à União.
Para fazer frente à pressão externa, Lula está articulando a criação do Conselho Nacional de Política Mineral e de Terras Raras. Como antecipou o Poder360, o órgão é ligado à Presidência da República. “Estamos transformando isso numa questão de segurança nacional. É uma questão do Estado”, afirmou.
O presidente afirmou em entrevista que apenas 30% do território brasileiro foi pesquisado e que, nessa faixa, o país já detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com 23% do total global.
Lula aproveitou para contextualizar a importância estratégica do tema. Terras raras são elementos químicos essenciais para a fabricação de baterias de carros elétricos, chips de celular e equipamentos de defesa. “Tudo que tem hoje de digital vai necessitar de terras raras”, disse o presidente.
O governo negocia acordos com parceiros que aceitem industrializar os minerais em solo brasileiro. “A Europa fala que quer compartilhar com o Brasil, mas quer transformar dentro do Brasil”, disse Lula, diferenciando a postura europeia da que atribui à direita brasileira. “Nós queremos ser donos do nosso nariz.”
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