O ex-marqueteiro do Partido dos Trabalhadores João Santana, que coordenou as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006 e de Dilma Rousseff (PT) em 2010, criticou nesta 4ª feira (8.abr.2026) a atuação do ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Sidônio Palmeira e afirmou que o governo adota uma comunicação de “cesta de Natal”.
Em publicação no Instagram, Santana disse que o modelo adotado prioriza anúncios de entregas sem construir uma narrativa consistente e, apesar das tentativas, “a imagem do governo Lula não melhora”.
“O problema é de comunicação, sim. Mas não é um problema de ‘sidonização’, é um problema de sintonização. É um problema de entendimento do que é política, do entendimento do que é comunicação e da mistura mal feita entre essas duas coisas”, afirmou.
Segundo o marqueteiro, a comunicação do governo se apoia em momentos de divulgação de “pacotes” de ações, “no atacado e no varejo”, sem conexão com uma estratégia mais ampla.
Para Santana, esse formato reflete um problema estrutural. “Pode ser um problema de modelo. É o mesmo drama que aflige dezenas de governos mundo afora”, disse.
Ele afirmou que há uma inversão na lógica de atuação do governo. “As pessoas, mesmo sem saber direito o que querem, desejam sonhar. Não se contentam mais com a comunicação de sexta de Natal. Cesta de Natal, quando o governo tem pacotes inúmeras entregas no atacado e no varejo. Elas querem ganhos materiais sim, mas querem governos que além do básico também as conduzam no território do sonho e da esperança”, declarou.
Segundo ele, a população busca mais do que resultados concretos. “As pessoas querem ser conduzidas além do básico, no território do sonho e da esperança”, disse.
Apesar das críticas, Santana afirmou que o problema não começou na atual gestão da comunicação. “É um problema maior e anterior a Sidônio, maior e mais antigo do que Lula”, declarou.

Santana foi um dos principais estrategistas do PT nas últimas décadas e coordenou campanhas presidenciais do partido.
O ex-marqueteiro já havia criticado decisões de Lula. Em fevereiro, ele disse que o envolvimento de Lula e da primeira-dama Janja da Silva no Carnaval do Rio criava um “cenário de soma negativa, onde todos saem perdendo”. A fala se refere à homenagem a Lula feita pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, que foi rebaixada.
IMAGEM DO GOVERNO LULA
A última rodada do PoderData, realizada de 21 a 23 de março de 2026, mostrou que 61% dos brasileiros desaprovam o desempenho pessoal do presidente. O percentual é o maior registrado desde março de 2024.
A avaliação que os eleitores fazem do petista é pior do que a que fazem do governo como um todo. No caso da administração federal, 57% desaprovam e 37% aprovam.

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