O senador Eduardo Girão (Novo-CE) disse na 4ª feira (8.abr.2026), no plenário do Senado, que protocolou uma notificação extrajudicial ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para cobrar a instalação da CPI do Banco Master.
Segundo o congressista, o pedido foi apresentado em 7 de abril, perto das 18h, em conjunto com os deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Marcel Van Hattem (Novo-RS), com o objetivo de registrar formalmente que a Presidência do Senado já tinha ciência da demanda.
Ao defender a abertura da comissão, Girão disse que o requerimento reúne os requisitos constitucionais e que a instalação “não é favor”, mas “obrigação” da Mesa.
No discurso, declarou que o pedido tem fato determinado, prazo certo e apoio de mais de 1/3 das 2 Casas, com 239 assinaturas de deputados e 42 de senadores. Também afirmou que a notificação foi apresentada para tentar resolver o caso “dentro da casa política”, sem recorrer a outro Poder.
“A Constituição não lhe deu o poder de engavetar a CPMI. Deu-lhe o dever de cumprir a Constituição”, disse Girão. Na sequência, afirmou que o Congresso precisa apurar “um dos maiores escândalos financeiros bilionários do Brasil” e citou a possibilidade de participação, omissão ou interferência de agentes públicos, além de fatos que poderiam atingir integrantes do STF.
Em resposta, Alcolumbre afirmou que convocará reunião para analisar as representações pendentes no Conselho de Ética: “Vou chamar os líderes partidários para a gente não só se desobrigar desta representação proposta pelo Novo, mas todas as outras representações que um senador ou outro se acharam no direito de apresentar contra colegas, nossas senadoras e nossos senadores”, disse.
A cobrança se soma a uma articulação que já vinha sendo feita desde o fim de 2025. Em novembro, Girão protocolou no Senado o requerimento para abertura da CPI do Banco Master, com 34 assinaturas, 7 acima do mínimo necessário de 27 senadores.
Na ocasião, o texto dizia que a comissão deveria investigar possíveis crimes financeiros, risco ao patrimônio público e danos ao sistema financeiro nacional. O caso ganhou projeção depois da Operação Compliance Zero, da PF (Polícia Federal), e da liquidação extrajudicial do banco pelo BC (Banco Central), em um episódio associado a fraudes estimadas em R$ 12 bilhões.
Em 25 de março, 6 senadores entraram com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para pedir a instalação da CPI do Banco Master. O grupo argumentou que a demora para abrir a comissão poderia comprometer a apuração e elevar o risco de perda de provas. Assinaram a ação: Alessandro Vieira (MDB-SE), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Damares Alves (Republicanos-DF), Girão, Esperidião Amin (PP-SC) e Plínio Valério (PSDB-AM).
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