O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, negou à CPI do Crime Organizado o compartilhamento de dados das investigações sobre o Banco Master S.A. e sobre a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, Sicário de Daniel Vorcaro. As informações fazem parte da operação Compliance Zero, que tramita sob sigilo na Corte. A decisão foi comunicada por meio de 2 ofícios enviados à comissão na 3ª feira (7.abr.2026).
O ministro alegou que o envio dos documentos está “inviabilizado no presente momento”, pois as diligências ainda estão em curso e o compartilhamento poderia comprometer o andamento das apurações. Mendonça citou a “superlativa relevância” da CPI, mas negou o acesso imediato aos dados. Eis a íntegra do despacho (PDF – 97 kB).
“Resta inviabilizado o compartilhamento, sem prejuízo de que, em momento ulterior, com o exaurimento das medidas instrutórias, seja possível promover a reanálise da solicitação”, escreveu o ministro.
Os requerimentos nº 211 e nº 237, citados no documento, buscavam acesso a detalhes de 2 eixos centrais:
- Instituição financeira: dados sobre as atividades do Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero;
- Morte: informações reunidas no processo que apura as circunstâncias do óbito de Luiz Phillipi Mourão.
A negativa foi formalizada em 2 documentos distintos registrados no sistema eletrônico do STF. O documento 131 (Ofício nº 3271158) foi assinado às 22h23 e responde ao Ofício nº 143/2026 da CPICRIME. Já o documento 132 (Ofício nº 3271075) foi assinado às 22h25, em resposta ao Ofício nº 159/2026 do colegiado. Apesar da duplicidade de registros, o teor do indeferimento é idêntico em ambos os textos.
SICÁRIO DE VORCARO
Luiz Phillipi Mourão, 43 anos, integrava o “núcleo de intimidação” de adversários e opositores de Vorcaro, segundo a Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação desta 4ª feira (4.mar), o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, cita duas conversas entre ele e o banqueiro que podem ser interpretadas como intimidação.
O apelido sicário vem do latim sicarius –sica é uma pequena adaga ou punhal. De acordo com a Agência Pública, o general romano Lúcio Cornéio Sula (138-78 a.C.) usou o termo ao promulgar uma lei para punir principalmente assassinos de aluguel –a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis. Atualmente, o termo é associado a um matador de aluguel.
A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, funcionário de Daniel Vorcaro e testemunha-chave do caso do Banco Master, confirmou a morte do sicário em 6 de março. Ele estava internado desde 4 de março no Hospital João 23, em Belo Horizonte, depois de tentar se matar, de acordo com a Polícia Federal.
A Polícia Federal informou que o Sicário “atentou contra a própria vida”. Ele havia sido preso horas antes e estava sob custódia da corporação na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais, em Belo Horizonte. Afirmou que ele foi levado ao hospital e que o ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), foi comunicado. A PF não explica o que aconteceu nem em quais circunstâncias o aliado de Vorcaro foi encontrado.
Powered by WPeMatico
