O Brasil importou 20% menos diesel em março de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados na 3ª feira pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Os números refletem o comportamento dos importadores diante da alta do preço do combustível no mercado internacional, aumento que não foi repassado na mesma proporção pela Petrobras no diesel vendido por suas refinarias no país.
Apesar da queda no volume importado, o valor total gasto aumentou 2% em março deste ano. O preço médio do diesel importado foi de US$ 0,83 por quilograma líquido, alta de 28% em relação ao mesmo mês de 2025, quando custava US$ 0,65.
O preço do combustível acompanha a valorização do barril de petróleo Brent, pressionado pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e pelos riscos ao abastecimento global. Antes do agravamento, no fim de fevereiro, a commodity estava próxima de US$ 70. Em 9 de março, chegou a US$ 119,50. Em 27 de março, ainda era negociada acima de US$ 100.
O aumento global do diesel não foi repassado integralmente pela Petrobras. Em 13 de março, a estatal reajustou o preço do combustível em 11,6% nas refinarias, mas o aumento não foi suficiente para eliminar a defasagem em relação ao produto importado.
Segundo o presidente-executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo, o cenário elevou o risco das importações, sobretudo entre o início do conflito, em 28 de fevereiro, e o reajuste da Petrobras.
“Muitos acordos ficaram travados no início de março… Tornou-se muito arriscado importar diesel”, disse.
Levantamento da Abicom indica que o diesel vendido pelas refinarias da Petrobras estava 23% abaixo da paridade internacional em 2 de março e 62% abaixo no fim do mês. Desde maio de 2023, com o fim da política de paridade de importação, a estatal deixou de seguir automaticamente as cotações internacionais e o câmbio na formação de preços.
Apesar da queda nas importações, Araújo afirmou que não houve desabastecimento no mercado interno.
Governo amplia subsídios ao diesel importado
Para conter a alta do preço do diesel nos postos, o governo adotou medidas de subvenção ao combustível importado. Em 12 de março, foi publicada a MP (medida provisória) nº 1.340, que prevê subsídio inicial de R$ 0,32 por litro.
A medida foi ampliada por outra MP publicada na 3ª feira (7.abr.2026), que estabeleceu subvenção adicional de R$ 1,20 por litro, sendo R$ 0,60 pagos pela União e R$ 0,60 por Estados aderentes. Eis a íntegra (PDF – 221 kB).
Segundo o governo, apenas 2 Estados não aderiram ao modelo. Nesses casos, a tendência é de preços mais altos, já que o subsídio é menor.
As medidas entraram em vigor imediatamente e valem até 31 de maio, com possibilidade de prorrogação por mais 2 meses. O custo estimado é de R$ 4 bilhões, dividido entre União e Estados.
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