Orbán construiu uma política externa pragmática, que combina relações com diferentes polos do poder. Integrante da UE (União Europeia) e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o atual governo húngaro mantém proximidade com o líder russo, Vladimir Putin, e com o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano).
No caso da Rússia, o vínculo é sobretudo econômico e energético. A Hungria depende do gás russo e mantém acordos estratégicos com Moscou, o que leva Orbán a adotar posições mais cautelosas sobre sanções e a guerra na Ucrânia.
Já a relação com Trump combina afinidade ideológica e cálculo político. Orbán se tornou referência para setores mais à direita nos EUA ao defender controle migratório, soberania nacional e críticas a instituições multilaterais. Ao mesmo tempo, o alinhamento com Trump reforça sua inserção no campo da direita global e amplia seu capital político internacional.
A estratégia permite ao premiê transitar entre diferentes centros de poder e maximizar ganhos para seu governo. Por outro lado, também traz atritos com aliados europeus e levanta dúvidas sobre o posicionamento geopolítico da Hungria.
A relação com a Ucrânia é um dos principais pontos de tensão. O governo húngaro tem bloqueado ou condicionado pacotes de ajuda financeira e militar da UE a Kiev, incluindo empréstimos e fundos de longo prazo, o que gera impasses recorrentes no bloco. Budapeste também critica políticas ucranianas voltadas à minoria húngara na Transcarpátia e adota uma postura mais cautelosa em sanções contra Moscou.
Além disso, a dependência energética —com petróleo e gás russos chegando por rotas que passam pela região— reforça a resistência de Orbán a medidas que possam comprometer o abastecimento. O resultado é uma relação marcada por desconfiança mútua e frequentes choques diplomáticos desde o início da guerra.
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