O Peru realiza eleições gerais neste domingo (12.abr.2026) para eleger o novo presidente do país –com o resultado do pleito, o eleito será a 9º pessoa a ocupar o cargo em 10 anos. A partir de 2016, nenhum presidente peruano concluiu o mandato de 5 anos regularmente, principalmente por causa de escândalos de corrupção.
O pleito tem um recorde de 35 candidatos à presidência e 70 candidatos à vice-presidente, tendo em vista que cada chapa tem 2 vice-presidentes. Cerca de 27 milhões de cidadãos peruanos estão aptos a votar no pleito. As seções eleitorais irão abrir às 7h no horário local (9h no horário de Brasília). Eis a íntegra da lista completa dos candidatos e partidos (PDF – 3MB).
Caso um dos candidatos não obtenha mais de 50% dos votos, a disputa presencial será decidida em um 2º turno, que está marcado para 7 de junho. Além de eleger o novo presidente, os peruanos também irão às urnas para escolher representantes para:
- 60 senadores;
- 130 deputados;
- 5 representantes do Parlamento Andino.
Uma pesquisa de intenção de votos da Ipsos, encomendada pelo jornal Peru 21 e publicada na 2ª feira (6.abr), mostrou que a candidata Keiko Fujimori (Fuerza Popular, direita) –filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1938-2024)– lidera nas intenções de voto, pontuando 15%.
Com exceção de Keiko, nenhum dos outros candidatos ultrapassa os 10% na enquete. Em 2º lugar, está o comediante Carlos Álvarez (País Para Todos, centro-direita), com 8% das intenções de voto.
Os 4 candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto estão em partidos de espectros à direita ou centro. O candidato à esquerda com mais intenções de voto é o deputado Roberto Sánchez (Juntos por el Perú), que está em 5º na pesquisa Ipsos.

TROCA DE PRESIDENTES
O país é governado pelo presidente interino José María Balcázar (Perú Libre, esquerda), que estará a frente do Executivo até 28 de julho –quando o presidente eleito assume o cargo. Ele assumiu após a destituição de José Jerí (Somos Peru, centro-direita), por meio de uma moção de censura aprovada em 17 de fevereiro.

O processo foi motivado por encontros não divulgados mantidos com empresários chineses, o que levantou suspeitas de tráfico de influência. O principal argumento dos opositores foi a falta de transparência nas reuniões extraoficiais, que normalmente eram realizadas em restaurantes ou lojas de Lima, principalmente durante a madrugada.
O caso ficou conhecido como “Chifagate” –uma referência à culinária “Chifa”, conhecida por mesclar elementos peruanos e chineses. No total, o mandatário ficou apenas 130 dias.
INSTABILIDADE POLÍTICA CRÔNICA
Depois do fim do governo de Alberto Fujimori (Cambio 90, direita), destituído em 2000 depois de o Congresso rejeitar sua renúncia enviada do Japão, o país viveu uma transição com Valentín Paniagua (Acción Popular, centro). Desde então, apenas Alejandro Toledo (Perú Posible, centro-esquerda), Alan García (APRA, centro-esquerda) e Ollanta Humala (Partido Nacionalista Peruano, esquerda) completaram seus mandatos.
O padrão se intensificou a partir de 2016, com sucessivas quedas e renúncias-relâmpago –como a de Manuel Merino (Acción Popular, centro), em 2020, depois de completar apenas 5 dias no cargo. De 2016 até 2026, o Peru teve 6 presidentes destituídos, uma média de 1 queda a cada 1,7 ano, evidenciando a instabilidade crônica do sistema político do país.
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