O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, visitará Pequim nesta 3ª feira (14.abr.2026) para um encontro com sua contraparte chinesa, o chanceler Wang Yi. Essa será a 4ª reunião entre autoridades do alto escalão dos 2 países em menos de 4 meses, o que reforça um alinhamento político e diplomático entre as nações. Lavrov ficará em território chinês até 4ª feira (15.abr).
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, o encontro presencial foi um pedido do governo chinês e os chanceleres discutirão assuntos internacionais e regionais de interesse dos países. Entre os temas que devem entrar na pauta estão a situação no Oriente Médio com o bloqueio do estreito de Ormuz, anunciado pelos Estados Unidos no domingo (12.abr), e o monitoramento das atividades militares do Japão, o que Rússia e China consideram um perigo iminente. A última conversa entre Lavrov e Wang Yi foi por telefone em 1º de março.
As ambições de militarização do Japão têm sido abertamente criticadas pela China, que encontrou coro em Lavrov no início de fevereiro. O chanceler russo declarou que a “remilitarização acelerada” colocada em ação pelo governo japonês ameaça a estabilidade na Ásia. No mesmo dia dessa declaração, Wang Yi se encontrou com o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergei Shoigu.
O último movimento de escalada militar do Japão que incomodou o governo chinês foi a instalação de mísseis de longo alcance em bases japonesas voltadas para a costa chinesa. Os mísseis são o 1º do tipo pertencentes ao Japão e podem viajar uma distância de 1.000 km, o que os torna capazes de alcançar a cidade de Xangai, centro econômico chinês.
Outro tema que deve ser abordado pelos chanceleres é a situação no Irã. As conversas de paz entre o país persa e os EUA não avançaram e as tensões aumentaram na região com um novo bloqueio do estreito de Ormuz, dessa vez pela Marinha norte-americana, que trava a saída de mercadorias de portos iranianos.
Rússia e China podem ser afetadas pelo bloqueio, principalmente os chineses que fazem negócios com o Irã através de rotas marítimas. Essa operação da Marinha dos EUA também complica o trânsito em Ormuz, que já vinha sendo facilitado por parte do Irã para embarcações russas e chinesas.
RELAÇÃO SINO-RUSSA
Os 2 países vivem um momento diplomático considerado “muito bom” por ambas as partes. Tanto a China quanto a Rússia se enxergam como “aliados estratégicos” que devem se aproximar em um cenário onde conflitos regionais e internacionais se intensificam e uma nova ordem mundial emerge.
Esse clima diplomático foi elogiado pelo presidente chinês, Xi Jinping (PCCH), e pelo líder russo, Vladimir Putin (independente), durante uma videochamada em fevereiro deste ano. Essa relação deve se estreitar ainda mais ao longo do ano, com os governos programando ao menos 2 encontros presenciais entre os líderes ao longo de 2026.
Powered by WPeMatico
