O estresse no intestino é mais comum do que as pessoas imaginam. Situações de pressão emocional, ansiedade ou tensão podem provocar alterações no funcionamento do sistema digestivo e desencadear sintomas como dor abdominal, diarreia ou prisão de ventre.
Segundo a gastroenterologista Linnet Alonso Almeida, do Hospital Brasília, existe uma ligação direta entre o cérebro e o sistema digestivo, conhecida como eixo intestino-cérebro. Essa comunicação explica por que emoções podem afetar o funcionamento intestinal.
“O estresse provoca a liberação de hormônios que impactam diretamente o sistema digestivo, podendo alterar a motilidade intestinal, a secreção de substâncias digestivas e causar irritação no trato gastrointestinal”, explica a especialista.
O que acontece no organismo durante o estresse
O estresse no intestino ocorre porque o organismo ativa mecanismos hormonais para lidar com situações de ameaça. Entre eles está o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de hormônios como o cortisol.
De acordo com o gastroenterologista Bernardo Oliveira, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, essa ativação provoca diversas mudanças no organismo.
“O estresse pode causar inflamação intestinal, alterar a resposta imunológica e modificar a produção de substâncias importantes para o funcionamento do intestino”, afirma.
Essas alterações também podem afetar a microbiota intestinal, o conjunto de microrganismos que vive no intestino e têm papel essencial na digestão, na imunidade e até na regulação do humor.
Sintomas intestinais ligados ao estresse
Os sintomas do estresse no intestino podem variar bastante entre as pessoas. Em alguns casos, a motilidade intestinal acelera, levando a episódios de diarreia. Em outros, ocorre o oposto: redução da atividade intestinal e constipação.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Diarreia ou prisão de ventre;
- Dor ou desconforto abdominal;
- Aumento da sensibilidade intestinal;
- Sensação de inchaço;
- Alterações na digestão.
Além disso, o estresse pode aumentar a permeabilidade intestinal, facilitando a entrada de toxinas e microrganismos e favorecendo processos inflamatórios.
O estresse no intestino também pode agravar doenças já existentes, como a síndrome do intestino irritável (SII). Embora fatores emocionais não sejam considerados a causa direta da condição, eles podem intensificar os sintomas.
Segundo Linnet, pacientes que têm síndrome do intestino irritável associada a ansiedade ou depressão tendem a apresentar piora do quadro durante períodos de maior tensão emocional. Além disso, alterações inflamatórias, mudanças na microbiota e maior sensibilidade intestinal podem contribuir para crises mais frequentes.
Como reduzir os impactos do estresse no intestino
Controlar o estresse no intestino envolve mudanças no estilo de vida e cuidados com a saúde mental. A adoção de hábitos saudáveis pode ajudar a melhorar tanto o equilíbrio emocional quanto o funcionamento digestivo.
Entre as principais recomendações dos especialistas estão:
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Beber bastante água;
- Praticar atividade física regularmente;
- Dormir bem;
- Evitar consumo excessivo de álcool e cigarro.
Oliveira destaca que terapias voltadas ao controle emocional também podem ajudar a quebrar o ciclo entre estresse e sintomas intestinais.
“Psicoterapia, meditação, yoga e atividade física são estratégias importantes para reduzir o impacto do estresse no organismo e melhorar o funcionamento intestinal”, afirma.
Para os especialistas, entender a relação entre mente e sistema digestivo é essencial para cuidar da saúde de forma integral. Afinal, quando o equilíbrio emocional é afetado, o intestino costuma ser um dos primeiros órgãos a sentir os efeitos.
Fonte: Metrópoles
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