Zhou Xianwang, ex-prefeito de Wuhan que atraiu atenção global por sua gestão do surto inicial de covid-19 em 2020, foi indiciado por acusações de suborno.
A Procuradoria Popular Suprema anunciou nesta 5ª feira (16.abr.2026) que a Comissão Nacional de Supervisão concluiu sua investigação. Promotores em Shangqiu, cidade na província central de Henan, apresentaram formalmente as acusações contra Zhou ao tribunal intermediário local.
O indiciamento marca o mais recente capítulo jurídico para um homem que se tornou a figura pública dos erros iniciais no combate ao coronavírus. Os promotores argumentam que Zhou usou sua extensa carreira política para garantir benefícios ilícitos para terceiros em troca de subornos excepcionalmente altos.
A investigação abrange um período de 22 anos, incluindo quando ele ocupava cargos como governador da prefeitura de Enshi, secretário de comércio da província de Hubei, secretário do partido em Huangshi, vice-governador de Hubei e prefeito de Wuhan.
De acordo com a lei penal chinesa, subornos superiores a 3 milhões de yuans (US$ 440 mil) são classificados como particularmente exorbitantes, sujeitos a penas que variam de 10 anos de prisão à prisão perpétua ou à pena de morte, além do confisco de bens.
Zhou, de 63 anos, é internacionalmente conhecido por sua gestão como prefeito de Wuhan durante o início da pandemia. Sob sua administração, a cidade sediou um enorme banquete de Ano Novo Lunar em janeiro de 2020, poucos dias antes de as autoridades implementarem um lockdown sem precedentes para os 11 milhões de habitantes da cidade.
Em um raro momento de franqueza pública na emissora estatal CCTV em janeiro de 2020, Zhou admitiu que a divulgação inicial de informações sobre o vírus foi inadequada. Ele mencionou restrições legais, observando que, como autoridade local, precisava de autorização para divulgar dados sobre doenças infecciosas.
Durante a mesma entrevista, Zhou relembrou uma conversa com o então chefe do partido em Wuhan, Ma Guoqiang, reconhecendo que a decisão de decretar o lockdown da cidade inevitavelmente atrairia a ira pública. Zhou afirmou que eles estavam dispostos a serem demitidos para apaziguar o público caso as medidas rigorosas conseguissem conter o vírus.
Em meados de fevereiro de 2020, Pequim orquestrou uma ampla reformulação da liderança em Hubei, substituindo altos funcionários provinciais e municipais. Jiang Chaoliang, o chefe do partido provincial destituído durante essa reformulação, foi colocado sob investigação no início de 2025 e indiciado por suborno no mês passado.
Depois do surto, Zhou foi relegado à vice-presidência do órgão consultivo provincial no início de 2021. Ele se aposentou em janeiro de 2023, apenas para ser formalmente colocado sob investigação em julho de 2025. As autoridades anticorrupção o expulsaram do Partido Comunista em janeiro de 2026, acusando-o de uma série de transgressões.
O órgão disciplinar interno citou seu envolvimento em atividades supersticiosas, aceitação de banquetes luxuosos, troca de poder por sexo e danos maciços ao patrimônio do Estado. Ele também foi acusado de obter ganhos ilícitos em contratos de engenharia e alocações de verbas para sua família e associados.
Zhou é o 17º funcionário da administração central a ser processado em 2026, juntando-se a uma lista crescente de quadros de alto escalão alvos de uma campanha anticorrupção contínua.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 16.abr.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
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