A líder oposicionista María Corina Machado recusou participar das negociações apoiadas pelos Estados Unidos com o governo interino e o país afunda mais na crise.
CARACAS (VENEZUELA) – Não foi divulgado novo balanço oficial de vítimas superior ao anunciado em 25 de julho: permanecem 5.546 mortos, 16.740 feridos e 17.907 pessoas sem moradia e 6.462 pessoas resgatadas com vida; cerca de 7% dos corpos confirmados ainda não haviam sido identificados. Organismos humanitários também não publicaram, até esta verificação, novo número consolidado de desaparecidos ou alteração substancial nos serviços essenciais.
A principal mudança ocorreu no campo político. A líder oposicionista María Corina Machado recusou participar das negociações apoiadas pelos Estados Unidos com o governo interino, alegando falta de garantias reais. As conversas tratariam, entre outros pontos, da renovação do Conselho Nacional Eleitoral, da escolha de magistrados e das condições para futuras eleições. A decisão aumenta a incerteza sobre a transição política justamente quando o país precisa coordenar a reconstrução e a distribuição da ajuda internacional.
Em paralelo, a Venezuela formalizou sua retirada do Tribunal Penal Internacional, acusando a instituição de parcialidade. Embora a medida não esteja diretamente ligada ao terremoto, ela amplia o isolamento institucional e pode dificultar a fiscalização internacional num período em que transparência, direitos humanos e controle dos recursos da reconstrução são temas centrais.
Familiares e voluntários continuam procurando vítimas sob os escombros, sobretudo em La Guaira. Persistem conflitos entre moradores, que pedem mais tempo para recuperar os corpos, e autoridades que pretendem acelerar demolições e retirada de estruturas instáveis.
A dimensão econômica também foi atualizada: o Banco Mundial estimou US$ 19,6 bilhões em danos físicos diretos, enquanto o custo total da reconstrução e da adaptação estrutural poderá chegar a US$ 50 bilhões. Aproximadamente 47% dos danos atingiram residências.
No campo político, a resposta estatal continua sob pressão. Um relatório divulgado por opositores acusa o governo interino de falhas de coordenação, enfraquecimento prévio da proteção civil e obstáculos à atuação de voluntários. Essas alegações representam a posição dos autores do estudo e precisam ser avaliadas de forma independente.
Há também uma divergência importante sobre os desaparecidos. O governo não atualiza esse número desde 25 de junho, quando registrava 157 pessoas, enquanto uma iniciativa de familiares reúne relatos de quase 29,5 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Esse cadastro cidadão não equivale a um balanço oficial confirmado, mas evidencia a falta de transparência e consolidação dos dados.
A situação humanitária permanece grave:
- 856 edifícios foram afetados, dos quais 190 desabaram completamente;
- 1.405 réplicas sísmicas já foram registradas;
- a eletricidade foi parcialmente restabelecida em áreas de La Guaira, mas os serviços ainda não voltaram à normalidade;
- clínicas móveis continuam atendendo comunidades onde o sistema público não consegue suprir toda a demanda.

