Action, DMP, IPEN, Perspectiva, Pontual, Eficaz e Projeta dividem um mercado que ganhou peso político e econômico. Parcerias com grupos de comunicação ampliam exponencialmente a repercussão de determinados levantamentos, enquanto decisões da Justiça Eleitoral colocam metodologia e transparência sob fiscalização cada vez maior.
MANAUS – À medida que as eleições de 2026 avançam no Amazonas, uma disputa ocorre paralelamente à corrida entre os candidatos ao governo, Senado e demais cargos: a batalha pela credibilidade, audiência e influência dos institutos de pesquisa eleitoral.
Em um Estado no qual diferenças de poucos pontos podem alterar alianças, financiamento de campanha, comportamento de lideranças e até a percepção sobre quem possui condições de chegar ao segundo turno, uma pesquisa não produz apenas números. Produz também narrativa política.
O mercado amazonense reúne empresas antigas e novas. Algumas acumularam décadas de atuação. Outras cresceram nos últimos ciclos eleitorais. Há ainda institutos integrados ou contratados sistematicamente por grupos de comunicação, circunstância que lhes proporciona uma capacidade de propagação muito superior à de empresas que apenas realizam o levantamento.
Uma análise das quatro disputas anteriores pelo Governo do Amazonas — 2014, eleição suplementar de 2017, 2018 e 2022 — somada ao comportamento observado em 2026, permite identificar quem ocupa hoje os principais espaços desse mercado.
ACTION: TRADIÇÃO E FORTE EXPOSIÇÃO NO GRUPO NORTE
Fundado e conduzido por Afrânio Soares, o Instituto Action integra o núcleo mais tradicional da pesquisa eleitoral amazonense. Documentos de levantamentos do próprio instituto identificam Afrânio e Flávia Sausmikat Soares na execução dos trabalhos, com responsabilidade estatística formalmente indicada.
A empresa construiu reputação principalmente por pesquisas presenciais e por uma longa atuação no mercado local. Um de seus desempenhos históricos de maior destaque ocorreu na eleição suplementar de 2017, quando sua pesquisa de boca de urna ficou muito próxima dos resultados efetivamente apurados.
Em 2026, porém, outro componente passou a ser particularmente importante: o espaço de comunicação associado à pesquisa.
O levantamento Action de julho foi contratado pela Norte Comunicação e Participações e apresentado pela TV Norte. Depois da divulgação original, seus resultados apareceram também no BNC Amazonas, Dia a Dia AM e em diferentes marcas do ecossistema do Grupo Norte, como NC News, O Poder e Imediato Online.
Isso coloca hoje a Action entre os institutos com maior capacidade de amplificação multimídia do Amazonas.
Há, entretanto, fiscalização política sobre seus levantamentos. Em junho, Avante e PSD obtiveram autorização judicial para acessar informações técnicas de uma pesquisa Action de 2026. A concessão do acesso não significa que a pesquisa tenha sido considerada fraudulenta; trata-se de instrumento de fiscalização previsto na legislação eleitoral.
Posição atual: primeira linha do mercado local, com tradição, reconhecimento de marca e forte plataforma de divulgação. Ao mesmo tempo, passou a ser submetida a escrutínio mais intenso pelos grupos políticos interessados.
DMP: QUANDO PESQUISA E REDE DE COMUNICAÇÃO CAMINHAM JUNTAS
A DMP Pesquisa e Eventos apresenta uma configuração diferente. A empresa atualmente registrada tem Kie Mariee Cavalcante Hara Tiradentes como sócia-administradora e consta entre as empresas registradas no Conselho Regional de Estatística. Pesquisa de mercado e opinião pública aparece entre suas atividades.
Seu grande diferencial é a proximidade estrutural com a Rede Tiradentes de Rádio e Televisão.
Em 2026, a própria Rede Tiradentes aparece como contratante de levantamentos executados pela DMP. Uma das pesquisas estaduais ouviu eleitores nos 62 municípios e foi posteriormente reproduzida por diversos portais.
Essa estrutura produz um fenômeno importante: a DMP não depende exclusivamente de convencer terceiros a divulgarem sua pesquisa. Existe um canal de distribuição associado ao próprio ecossistema que contrata o levantamento, com rádio, televisão e presença digital.
Depois disso ocorre o chamado efeito de repercussão: resultados da DMP são reproduzidos por BNC Amazonas, O Poder, AM24h, Estado Político e diversos outros portais.
A DMP também possui histórico eleitoral relevante. Em eleições anteriores, acertou movimentos importantes do eleitorado, embora em alguns levantamentos tenha ampliado diferenças posteriormente verificadas nas urnas.
Posição atual: permanece no primeiro grupo do mercado e possui provavelmente a mais clara integração entre pesquisa eleitoral e capacidade própria de comunicação.
Isso não demonstra interferência nos resultados. Demonstra algo diferente e objetivamente verificável: capacidade excepcional de estabelecer agenda.
IPEN: A FORÇA DO CONSÓRCIO G6
O Instituto de Pesquisa do Norte — IPEN talvez apresente em 2026 o modelo de distribuição editorial mais interessante.
A empresa é antiga e regularmente registrada no Conselho Regional de Estatística. Mas sua força atual de divulgação decorre especialmente da associação com o G6, consórcio que reúne seis conhecidos veículos políticos do Amazonas:
BNC Amazonas, Amazonas Atual, Portal do Marcos Santos, Portal Único, Portal do Mário Adolfo e Blog do Hiel Levy.
Quando uma pesquisa IPEN/G6 é liberada, portanto, ela não começa sua trajetória em apenas um portal. Seis veículos entram simultaneamente ou coordenadamente no circuito de divulgação, e outros sites posteriormente reproduzem os resultados.
É uma vantagem competitiva expressiva.
A pesquisa para governador divulgada em maio, por exemplo, apareceu conjuntamente nesses veículos, colocando Omar Aziz na liderança e David Almeida, Maria do Carmo e Roberto Cidade dentro de um bloco tecnicamente equilibrado.
Em termos exclusivamente digitais, o IPEN/G6 possui provavelmente a estrutura planejada de distribuição mais ampla entre os institutos locais, justamente porque o consórcio foi construído para produzir e divulgar conjuntamente seus levantamentos.
O instituto também foi alvo de pedido de acesso a seus dados em 2026. Novamente, auditoria ou acesso judicial não significam automaticamente irregularidade.
Posição atual: marca tradicional que ganhou nova força graças a uma rede organizada de seis veículos digitais.

PERSPECTIVA: PRESTÍGIO HISTÓRICO E CAPITAL POLÍTICO DE DURANGO DUARTE
A Perspectiva possui uma característica que a diferencia das demais: grande parte de sua identidade pública está ligada ao nome de Durango Duarte.
Ao longo de sua trajetória, Durango ocupou simultaneamente espaços de pesquisador, analista, consultor e observador da política amazonense. Isso lhe proporcionou amplo conhecimento dos governos e das forças que controlaram o Estado durante diferentes períodos.
Historicamente, a Perspectiva — e anteriormente o projeto #Pesquisa365 — produziu alguns levantamentos que ganharam relevância precisamente por captar movimentos que surpreenderam parte da classe política, especialmente a ascensão de Wilson Lima em 2018.
No ciclo atual, entretanto, a Perspectiva aparece menos associada às grandes manchetes diárias de pesquisas para governador do que Action, DMP, IPEN, Projeta e Eficaz. Seu próprio portfólio recente mostra expansão para estudos de desempenho digital de parlamentares, gestores e veículos de comunicação, além das pesquisas políticas tradicionais.
Isso não representa redução de importância técnica. Indica uma alteração de posicionamento.
Posição atual: uma das marcas historicamente mais respeitadas e com forte capital de análise política, mas menos dominante na atual guerra diária de divulgação de pesquisas eleitorais do que em ciclos anteriores.
PONTUAL: MARCA CONHECIDA, MAS COM MENOR PROTAGONISMO NAS RODADAS ATUAIS
A Pontual, comandada por Eric Barbosa, também possui trajetória consolidada no Amazonas.
Em 2026, Eric passou a aparecer com frequência não apenas como pesquisador, mas também como analista eleitoral, participando de podcasts e entrevistas sobre alianças, influência das estruturas políticas e comportamento do eleitor.
Action, Pontual e Projeta já eram apontadas conjuntamente como empresas ativas no interior do Estado em levantamentos políticos anos antes da atual eleição.
No atual ciclo estadual, porém, a Pontual não dispõe de uma máquina permanente de divulgação comparável à Rede Tiradentes/DMP, Grupo Norte/Action ou G6/IPEN.
Sua presença pública hoje parece mais vinculada à credibilidade pessoal de seu responsável e à participação no debate político do que a uma sucessão de levantamentos estaduais amplamente distribuídos.
Posição atual: instituto conhecido e consolidado, mas atualmente com menor protagonismo midiático na corrida estadual que Action, DMP e IPEN.
EFICAZ: O NOVO COMPETIDOR QUE GANHA ESPAÇO
A Eficaz representa uma geração mais nova do mercado.
A empresa de Igor Olavo Ramos Tavares foi aberta em 2020 e tem como atividade principal pesquisa de mercado e opinião pública, além de atividades relacionadas a tecnologia, dados, publicidade e comunicação.
Seus levantamentos vêm conquistando espaço crescente.
A pesquisa divulgada em 28 de agosto, que encontrou quatro candidatos tecnicamente próximos na disputa pelo governo, foi reproduzida pelo BNC Amazonas, Gazeta da Amazônia, Folha Amazônica, Thomaz Rural e outros veículos.
Isso demonstra que a Eficaz começa a ultrapassar o estágio de divulgação restrita ao próprio instituto.
Existe, entretanto, precedente judicial relevante: decisão referente às eleições de 2024 considerou determinado levantamento como não registrado por ausência de informações essenciais e manteve aplicação de multa. Isso deve integrar qualquer análise de compliance da empresa, mas não permite generalizar o episódio para todas as pesquisas posteriormente realizadas.
Posição atual: instituto em ascensão, com crescente capacidade de repercussão, mas ainda construindo um histórico comparável ao das empresas mais antigas.
PROJETA: GRANDE VISIBILIDADE, EXPANSÃO AGRESSIVA E O MAIOR ALERTA RECENTE
A Projeta, de Marcel Paredes Valin, tornou-se um dos nomes mais visíveis do atual mercado.
A empresa existe desde 2015 e Marcel consta como responsável pelo negócio.
Seu modelo possui uma peculiaridade importante: além do instituto, existe o Portal Projeta, que oferece capacidade própria de publicação e análise dos levantamentos. Pesquisas da empresa posteriormente encontram ampla repercussão externa.
O BNC Amazonas, por exemplo, publicou sucessivamente levantamentos Projeta em junho, julho e agosto de 2026.
Essa presença transformou a Projeta em um dos institutos de maior visibilidade do atual ciclo.
Mas justamente sua pesquisa de agosto passou a representar o mais sério problema recente de imagem entre os institutos locais. O TRE-AM determinou liminarmente a suspensão da divulgação do levantamento AM-03824/2026 após considerar insuficientes informações necessárias à fiscalização metodológica. A decisão era provisória e não pode ser traduzida como prova de manipulação ou fraude.
Há também precedente de 2024 envolvendo pesquisa da empresa em Parintins, com aplicação de multa por descumprimento das regras relativas ao registro.
Posição atual: grande capacidade de produção e comunicação, presença crescente na imprensa, mas submetida atualmente ao maior desgaste regulatório entre os institutos analisados.

E A “ACEITAÇÃO POPULAR”?
Não existe ainda pesquisa independente e metodologicamente confiável perguntando ao eleitor amazonense em qual instituto ele mais confia.
Consequentemente, não é correto afirmar que Action, DMP, IPEN ou qualquer outra empresa seja “a mais aceita pela população”.
O que pode ser medido indiretamente são outros indicadores:
- longevidade da empresa;
- frequência com que suas pesquisas são contratadas;
- histórico de proximidade entre projeções e resultados das urnas;
- quantidade e relevância dos veículos que reproduzem os levantamentos;
- transparência metodológica;
- histórico de decisões da Justiça Eleitoral;
- permanência da empresa no mercado entre uma eleição e outra.
Esses indicadores apontam prestígio profissional e capacidade de circulação, não necessariamente confiança popular.
QUEM RECEBE MAIS ESPAÇO NA IMPRENSA?
A resposta depende do tipo de espaço analisado.
Na distribuição digital coordenada, IPEN/G6 ocupa posição privilegiada
O IPEN dispõe de algo que nenhum outro instituto local apresenta exatamente da mesma forma: seis portais políticos contratando e divulgando conjuntamente seus levantamentos.
Portanto, no critério quantidade de veículos previamente articulados para uma divulgação simultânea, IPEN/G6 possui hoje a estrutura mais claramente organizada.
Na exposição multimídia, Action/Grupo Norte é extremamente forte
A Action encontra no Grupo Norte de Comunicação/TV Norte uma plataforma que vai além de sites. O levantamento contratado pela Norte Comunicação ganhou televisão e posteriormente circulação por diferentes marcas digitais do grupo e veículos externos.
Nesse critério, a Action possui provavelmente uma das maiores capacidades de amplificação simultânea entre televisão e internet.
Na integração direta entre instituto e grupo de comunicação, DMP/Rede Tiradentes é o caso mais evidente
Quando a Rede Tiradentes contrata a DMP e depois utiliza sua própria estrutura para divulgar o levantamento, temos a relação mais direta entre produção de pesquisa e capacidade própria de difusão entre os casos examinados.
Por isso, se a pergunta for “qual instituto possui o espaço editorial próprio mais previsível para colocar seus resultados no debate?”, a resposta é DMP, dentro do ecossistema Rede Tiradentes.
Projeta possui grande exposição externa e canal próprio
A Projeta combina Portal Projeta com expressiva repercussão em portais externos, especialmente no BNC Amazonas durante 2026.
Não há, entretanto, base suficiente para afirmar que o BNC “favorece” a Projeta. O mesmo portal publica pesquisas de DMP, Action, Eficaz e IPEN e chegou inclusive a destacar a suspensão judicial do levantamento da própria Projeta.
Isso é um dado relevante porque frequência de publicação não pode ser confundida automaticamente com alinhamento editorial.
O NOVO MAPA DO PODER DAS PESQUISAS
Se fosse necessário resumir a posição atual do mercado amazonense, o quadro seria aproximadamente este:
Action — tradição + forte distribuição multimídia pelo Grupo Norte.
DMP — tradição + estrutura própria de comunicação vinculada à Rede Tiradentes.
IPEN — tradição + maior rede coordenada de portais por meio do G6.
Perspectiva — forte patrimônio histórico e elevada capacidade de análise política, mas menor protagonismo nas manchetes eleitorais atuais.
Pontual — marca consolidada e dirigente publicamente conhecido, porém sem estrutura permanente de divulgação equivalente às três primeiras.
Eficaz — concorrente emergente em rápida expansão e com crescente reprodução por terceiros.
Projeta — uma das empresas que mais ganharam visibilidade recentemente, combinando instituto e portal próprio, mas hoje sob forte escrutínio devido a decisões da Justiça Eleitoral.
A maior mudança do mercado amazonense, portanto, talvez não esteja propriamente na técnica de entrevistar eleitores.
Está na distribuição.
No passado, um instituto entregava a pesquisa e dependia de jornais, rádios e televisões para transformá-la em notícia. Hoje, parte significativa do mercado opera de forma integrada: instituto + contratante + televisão + rádio + portal + redes sociais + republicação por terceiros.
É justamente aí que reside o novo poder das pesquisas.
Porque, em uma eleição equilibrada, não basta produzir o número.
É preciso fazer o Amazonas inteiro falar sobre ele.


