Em nota conjunta no sábado (23.ago.2025), as sociedades médicas afirmaram existir uma “elitização do acesso ao tratamento medicamentoso da obesidade no país” e que a decisão do órgão do Ministério da Saúde “fere os beneméritos princípios de equidade, universalidade e integralidade” do sistema público. Disseram ainda que “o acesso aos mesmos é exclusivo apenas para quem consegue pagar”.
A Conitec já havia abordado o impacto financeiro que esses medicamentos representariam para o SUS. Em maio, a comissão calculou que a inclusão de ambos os fármacos traria gastos de R$ 3,4 bilhões a R$ 7 bilhões em 5 anos. Leia a íntegra do relatório inicial (PDF – 3 MB).
As sociedades contestam o argumento apresentado pela Conitec: “A decisão […], justificada pelo alto custo dos medicamentos, se contrapõe à negação de sequer avaliar a incorporação da sibutramina, que tem um custo mensal de menos de 30 reais, incorporação esta que foi solicitada por estas sociedades em dezembro de 2024”.
A nota afirma ainda que a falta de acesso a medicamentos no sistema público prejudica grupos vulneráveis. “A Abeso, a SBD e a SBEM discordam da decisão e lamentam pelos pacientes, notadamente pelas mulheres negras periféricas de baixa renda, que são as mais afetadas pela obesidade nos últimos anos”, escreveram.
A Conitec também havia indicado a necessidade de acompanhamento especializado para pacientes que usam esses medicamentos. Realizou, em junho de 2025, uma consulta pública para ouvir a sociedade civil e profissionais de saúde sobre o tema depois do parecer inicial de maio.
