“A anistia ampla, geral e irrestrita foi declarada inconstitucional pelo STF, e eu não vou fazer nenhum projeto que confronte a Câmara com o Supremo”, disse em entrevista à Rádio Eldorado nesta 6ª feira (19.set.2025).
Em 11 de setembro, a 1ª Turma da Corte condenou os 8 réus do chamado núcleo 1 da tentativa de golpe de Estado em 2022. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por 5 crimes –o que intensificou a articulação de congressistas para aprovar uma anistia com o objetivo de livrar Bolsonaro.
Paulinho da Força disse que não pretende visitar o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar em Brasília desde 4 de agosto. “Teria que pedir para o Supremo, o Supremo que libera quem vai visitar ele ou não. Mas eu não vou. Não pretendo ter uma conversa com ele”, declarou.
O relator disse ter conversado na 5ª feira (18.set) com o senador e filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e com o Líder da Oposição na Casa Alta, Rogério Marinho (PL-RN), e se colocou “à disposição para dialogar sobre o projeto”. Declarou que não teve “nenhuma conversa mais profunda” com os líderes.
PL DA DOSIMETRIA
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou a escolha de Paulinho como relator do então PL da anistia na 5ª feira (18.set). Ele será responsável por elaborar o texto a ser, de fato, votado. O requerimento de urgência para o projeto foi aprovado na noite de 4ª feira (17.set). O placar foi de 311 votos a favor e 163 contra. Leia esta reportagem para saber como votou cada deputado.
Paulinho da Força anunciou a mudança de nome do projeto para “PL da Dosimetria” depois de se reunir na noite de 5ª feira (18.set) com o também deputado Aécio Neves (PSDB-MG) na casa do ex-presidente Michel Temer (MDB), em São Paulo, para um debate sobre o texto. O encontro contou também com a participação virtual de Motta.
Depois da reunião, Paulinho, Aécio e Temer anunciaram, em vídeo, uma mudança de foco do projeto: agora, sua nomenclatura será “PL da Dosimetria”, não mais da anistia, conforme sugestão de Aécio. O objetivo do projeto passa a ser não perdoar os crimes, mas reduzir a pena dos condenados pela tentativa de golpe nos atos de 8 de Janeiro.
