Se o mundo antigo temia as guerras e as pragas, o mundo contemporâneo enfrenta uma epidemia mais silenciosa: a insensatez coletiva.
Nunca houve tanto acesso à informação — e, paradoxalmente, nunca estivemos tão vulneráveis à desinformação. Informação é diferente de formação. Excesso de informação deforma ações e atitudes, paralisa aprendizagem, traz comportamentos patológicos, distancia o pseudo ser muito informado em seu castelo de informação dos demais seres, considerado por ele, um seres sem informação.
A geração pós-digital, imersa em telas, algoritmos e inteligências artificiais, muitas vezes cresce sem bússola ética ou epistemológica. Não se trata de condenação, mas de constatação histórica.
As pesquisas, livros e atendimentos do Dr. Augusto Cury, pra citar só um médico dedicado à saúde mental da humanidade, visto que ele, esse incrível ser humano, é lido internacionalmente, afirma que o homem chegou à lua, às viagens espaciais, mas não conseguiu viajar para seu interior e fazer a melhor viagem e mais produtiva: a viagem para o auto conhecimento e, dentre as muitas obras literárias desse mestre, vou citar uma como sugestão: “Você é Insubstituível”, um livro que revela da primeira à última página a sua biografia e está publicado pela Editora Sextante, tem mais de 2, 3 milhões de exemplares vendidos e eu espero que lidos e que tenham transformado a vida de quem leu para a conquista e o auto – conhecimento de si mesmo.
O uso indiscriminado das IAs, inteligências artificiais que, recebe uma crítica muito pertinente de um outro médico brasileiro, com mais de quarenta anos de experiência em pesquisa e atuação nas universidades dos Estados Unidos, Dr. Miguel Nicolelis. Esse homem incrível diz em suas lives e em seus livros que a IA nem é inteligente, nem é artificial, e explica: não é inteligente porque essa é uma prerrogativa do ser humano e não de máquinas e não é artificial, porque é uma construção real de seres humanos, que a constituíram, a alimentam e, portanto, é um ferramenta poderosíssima; mas apenas um ferramenta, que, sem mediação crítica, pode gerar não conhecimento, mas simulacros de saber. Jovens passam a reproduzir discursos sem reflexão, constroem identidades fragmentadas e, pouco a pouco, substituem o encontro humano por conexões artificiais.
As consequências já se desenham:
• empobrecimento das relações sociais;
• intolerância crescente;
• adesão a pseudo-verdades;
• formação de “ilhas cognitivas” em vez de comunidades vivas.
• Dificuldades de entendimento interpretativo, devido a ação mecânica de colar e copiar;
• Impossibilidade de interpretar aquilo do qual não se tem vivência ou a menor construção real além da simples ação de copiar;
• Empobrecimento de diálogos construtivos e dialéticos
Some-se a isso o cenário global: mais de uma centena de conflitos armados ativos no mundo, produzindo uma geração que cresce sob a sombra da instabilidade, do medo e, inevitavelmente, do ressentimento.
A insensatez, nesse contexto, deixa de ser apenas uma falha individual e passa a ser um fenômeno civilizatório.
ENTRE A QUEDA E A POSSIBILIDADE: A ESPERANÇA SENSATA
Mas a história — e eu sei disso como historiadora — nunca foi linear nem totalmente sombria.
Mesmo em meio ao colapso, há sempre aqueles que sustentam a lucidez.
Sempre existem as resistências que acreditam nos valores morais, nas boas atitudes, na sensatez e, a história está cheia de exemplos de pessoas que foram para as guerras como A Cruz Vermelha, por exemplo com o único objetivo de salvar vidas, o Templo Sikhs na Índia, que doam comida vegetariana gratuitamente todos os dias durante 365 dias do ano desde o século XVI!
“É verdade que o sol vai voltar amanhã…” — trecho da canção Mais Uma Vez, de Renato Russo, nos lembra de uma verdade simples e poderosa: a esperança não é ingenuidade, é escolha consciente.
A sensatez, portanto, não desapareceu. Ela resiste.
Resiste:
• nos educadores que ainda formam para o pensamento crítico;
• nos jovens que questionam e não apenas consomem;
• nas famílias que cultivam valores;
• nos espiritualistas que, independentemente da bandeira religiosa, promovem o amor, a ética e a fraternidade.
A parte boa — os sensatos do mundo — não é maioria ruidosa, mas é presença constante. E, como tantas vezes na história, serão eles os responsáveis por reconstruir pontes onde outros ergueram muros.
CONCLUSÃO: SENSATEZ COMO ATO REVOLUCIONÁRIO
Em tempos de excessos, ser sensato é um ato quase subversivo.
É escolher pensar antes de reagir.
É dialogar quando o mundo grita.
É construir quando tudo convida à destruição.
Se o passado nos ensinou algo, é que civilizações não caem apenas por falta de recursos — caem por falta de lucidez.
E talvez o maior desafio do nosso tempo não seja tecnológico, econômico ou político, mas profundamente humano: recuperar a sensatez como virtude central da existência.
Porque, apesar de tudo, o sol — inevitavelmente — voltará amanhã. E com ele, a possibilidade de recomeçar, com mais consciência, mais equilíbrio e, sobretudo, mais humanidade.
O post A insensatez como marca do nosso tempo apareceu primeiro em A Gazeta do Amapá.
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