O pré-candidato do PDT ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), se irritou com o movimento do PT para que ele desista de concorrer ao Palácio Tiradentes neste ano. Soma-se a isso o ex-prefeito ter sido “abandonado” por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depois das eleições de 2022.
Na ocasião, Kalil disputou o governo mineiro pelo PSD e abriu palanque para Lula na eleição presidencial. Ao perder para Romeu Zema (Novo), o ex-prefeito se queixa até hoje de não ter recebido um telefonema sequer do petista depois da derrota. Embora Kalil negue em público ter mágoa de Lula, há um distanciamento nítido entre ambos.
O ex-presidente do Atlético Mineiro busca ficar mais ao centro na tentativa de assegurar ao menos uma vaga no 2º turno no pleito deste ano. Há o entendimento de que Kalil conseguiu reconstruir a base eleitoral na região metropolitana após a ruptura com o PT.
Ao vencer a eleição presidencial, Lula decidiu nomear o então senador Alexandre Silveira (PSD) como ministro de Minas e Energia, além de se aproximar do presidente do Congresso à época, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Enquanto Kalil tentou ser eleito ao governo estadual, Silveira buscou a recondução ao Senado em 2022. Os 2 estiveram na mesma chapa e saíram derrotados. Ambos se desentenderam, e Alexandre Kalil deixou o PSD para se filiar ao Republicanos em 2024.
Em novembro de 2025, Kalil jantou com o presidente do PT, Edinho Silva. Houve uma tentativa de convencer o ex-prefeito a se candidatar pelo governo de Minas como representante de Lula.
“CHAPA DOS SONHOS”
O PT trabalha para que Rodrigo Pacheco seja candidato ao governo de Minas Gerais e assegure um palanque para Lula. Para isso, é necessário que o senador deixe o PSD e se filie a uma sigla.
O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, é do PSD e isso inviabiliza que Pacheco permaneça no partido para concorrer às eleições no Estado. Simões é o indicado de Zema, que é pré-candidato à Presidência.
O Poder360 mostrou que Rodrigo Pacheco aguardará até o limite da janela partidária para definir sua troca de legenda. O período de troca se encerra em 3 de abril.
O presidente do PT, Edinho Silva, avalia que é uma “possibilidade bem encaminhada” a entrada de Pacheco no PSB. O dirigente petista falou sobre o tema a jornalistas no domingo (29.mar.2026), em Contagem (MG), durante evento de lançamento da pré-candidatura da prefeita Marília Campos (PT) ao Senado.
Edinho definiu como uma “chapa dos sonhos” ter Pacheco concorrendo ao governo estadual e Alexandre Kalil e Marília Campos compondo as duas vagas da chapa ao Senado.
“Tenho pelo Kalil um respeito imenso. Kalil é uma das maiores lideranças políticas do Brasil, não só de Minas, pelo governo que fez em BH, pela forma como disputou as eleições de 2022. Ele pode ser candidato ao que ele quiser. Queremos muito conversar com ele para que esteja na nossa chapa”, declarou o petista.
Na 4ª feira (25.mar), Pacheco jantou com o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, em Brasília. Esse encontro faz parte de um movimento do dirigente partidário para filiar o senador à sigla. Não houve definição sobre o ingresso de Pacheco na legenda.
CONVERSA COM CLEITINHO
Ao ser questionado por jornalistas, Edinho também abriu espaço para conversar com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). “Não tem por que a gente não conversar com Cleitinho ou qualquer outra liderança. Não significa que isso seja uma aliança porque nós respeitamos a base social que conversa com Cleitinho, respeitamos lideranças que apoiam Cleitinho. Conversar não faz mal nenhum”, declarou.
Ao Poder360, Cleitinho disse nesta 2ª feira (30.mar) que ainda não foi procurado por Edinho, mas indicou ter recebido de forma positiva a declaração do dirigente petista.
O congressista reiterou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Contudo, abriu espaço para ser manter “independente” no plano nacional, caso não tenha respaldo do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou tenha apoio rejeitado.
“Recebi com muito respeito as palavras do Edinho pelo reconhecimento ao meu trabalho. Sobre eleições, eu já tinha me posicionado para apoiar Flávio Bolsonaro. Caso ele e o PL não queiram me apoiar e não quiserem meu apoio por questões partidárias, vou respeitar a decisão deles. Então, ficarei independente, com o povo me apoiando”, disse.
As pesquisas eleitorais mostram Cleitinho liderando as intenções de voto para o governo de Minas Gerais.
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