Ação militar dos EUA leva Irã a abismo imprevisível, diz China

O representante da China na ONU (Organização das Nações Unidas), Fu Cong, condenou na 4ª feira (28.jan.2026) o envio de tropas norte-americanas ao Oriente Médio para intimidar o Irã. Em reunião do Conselho de Segurança, declarou que as ações do presidente Donald Trump (Partido Republicano) empurram a região para um “abismo imprevisível”.

“O Irã é um país independente e soberano, e seus assuntos devem ser decididos pelo próprio povo iraniano. A China espera e apoia o Irã na manutenção da estabilidade nacional e na salvaguarda da soberania, segurança e integridade territorial do país. A força não resolve problemas, e qualquer aventura militar só empurraria a região para um abismo imprevisível”, declarou Cong.

O porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln e sua frota de apoio, chegaram ao Oriente Médio na 2ª feira (26.jan). Na 4ª feira (28.jan), Trump definiu as tropas recém-chegadas à região como “uma bela armada” e lembrou da operação dos Estados Unidos que bombardeou instalações nucleares do Irã no ano passado.

Trump sugeriu que o Irã faça um acordo para evitar novas ações militares no país. “Aliás, há outra bela armada se dirigindo lindamente ao Irã agora mesmo. Então, vamos ver. Eu espero que eles façam um acordo”, escreveu o chefe da Casa Branca.

A instabilidade no Irã preocupa a China, pois o país é um dos maiores fornecedores de petróleo aos chineses. Pequim exporta mais de 1 milhão de barris de óleo por dia dos iranianos.

PROTESTOS NO IRÃ

A movimentação militar norte-americana se dá depois de protestos no Irã, iniciados em 28 de dezembro, motivados pela situação econômica. O país comandado pelo aiatolá Ali Khamenei registrou desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2%, segundo dados de dezembro de 2025, e aumento dos preços de bens essenciais.

Mais pessoas se juntaram às manifestações, reivindicando reformas políticas e do sistema judiciário e mais liberdade. O governo do Irã reagiu reprimindo e prendendo os manifestantes.

De acordo com a agência Reuters, que ouviu um integrante do governo iraniano, ao menos 5.000 pessoas morreram nos protestos. O número, contudo, não foi confirmado oficialmente.

Trump tem emitido sinais contraditórios sobre uma possível intervenção militar no país. Em 14 de janeiro, recuou de possível ação depois que, segundo ele, o regime do aiatolá desistiu de executar manifestantes. No dia anterior, havia afirmado que iria tomar “fortes medidas” caso o Irã prosseguisse com a sentença.

Ali Khamenei, líder supremo, comanda o sistema político iraniano estabelecido após a Revolução Islâmica, de 1979.

Antes do discurso de Trump em Iowa, também na 3ª feira (27.jan), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que o país dará “resposta abrangente e que provocará arrependimento” a qualquer agressão externa.

“Estamos e continuamos enfrentando uma guerra híbrida. Após a agressão militar de Israel contra o Irã em junho, temos enfrentado novas alegações e ameaças dos Estados Unidos e de Israel todos os dias”, declarou o porta-voz a jornalistas.

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