O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, disse nesta 3ª feira (14.abr.2026) que espera que o acordo comercial entre Mercosul e Canadá seja assinado em 2026. Já as tratativas com os Emirados Árabes travaram e não devem ser concluídas neste ano.
Ele concedeu entrevista a jornalistas depois de sua cerimônia de posse no auditório do Ministério do Planejamento e Orçamento, em Brasília. O ex-ministro e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes estavam presentes.
Rosa disse ter expectativa de que o acordo Mercosul-Canadá seja assinado neste ano. “Essa é uma negociação que está em curso. Estão sendo feitas rodadas técnicas e diplomáticas e tem sido muito exitoso. Nós temos mais da metade do texto já negociado e pactuado”, disse o ministro.
Segundo ele, o Canadá e o México são parceiros comerciais importantes e estratégicos para o Brasil. Ele declarou que o acordo com os Emirados Árabes teve “ponto que ficaram mais difíceis de evoluir”.
ACORDO MERCOSUL-UE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta 3ª feira (20.abr.2026) do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em Hannover, com 500 empresários –metade de cada país. O governo usa o Mercosul–União Europeia como cartão de visitas em cada reunião da viagem –o decreto de vigência provisória, com data marcada para 1º de maio, pode ser publicado antes do embarque.
O Parlamento Europeu decidiu em janeiro de 2026 enviar o texto para o Tribunal de Justiça do bloco. Esse tipo de avaliação costuma levar até 2 anos para ser concluída. Na época, houve dúvidas, mais tarde esclarecidas, quanto ao efeito que a avaliação da Justiça poderia ter quanto à postergação das regras do acordo.
Rosa disse que a discussão na Justiça não impede a imediata vigência a partir de 1º de maio. “O que nós precisamos é dialogar com o setor produtivo para que todo mundo esteja na mesma agenda”, disse.
Ele disse que, em maio, o Mdic irá à público para esclarecer informações sobre regras e excepcionalidades do regime tributário. Rosa disse que 95% das NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) serão “desgravadas” –ter redução ou eliminação de tarifas de importação– quase que imediatamente na União Europeia. O ministro defendeu que a indústria brasileira, por outro lado, precisa de maior proteção.
“No caso do Mercosul, nenhuma desgravação ocorre de imediato, pelo contrário. Nós conseguimos renegociar o acordo […] e ampliar os prazos de desgravação. Nós temos 5, 8, 10 e hipótese de 15, podendo chegar a 18 anos”, declarou.
Rosa disse que o setor automotivo pode ter a eliminação de alíquotas de importação em até 18 anos.
CERIMÔNIA DE POSSE
Em seu discurso de posse, Rosa disse que a indústria e a economia brasileira colhem frutos do governo Lula. Rosa disse que irá continuar o trabalho de Alckmin e manter diálogo com o setor privado. Declarou que será um intermediário para superar tensões, e citou o caso do tarifaço dos EUA contra vários países, inclusive o Brasil.
Segundo o ministro, o presidente Lula liderou “de tal modo essa tensão” que hoje o Brasil tem outro tamanho na cena internacional. Rosa defendeu ainda que o governo conseguiu superar o momento de tensão sem perder o foco das políticas industriais.
O ministro ainda elogiou Lula por ter recriado o Mdic, que estava integrado ao Ministério da Economia no governo Jair Bolsonaro (PL), e o CNPI (Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial). Defendeu que a indústria moderna está necessariamente associada à bioeconomia, olhando para o futuro e para a modernidade.
Rosa disse que a NIB (Nova Indústria Brasil) possibilitou a melhora da economia. Alckmin declarou que
MDIC
Rosa nomeado em 3 de abril. Inicialmente, havia dúvida se o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França assumiria o comando da pasta, mas ele concorrerá às eleições em São Paulo e deixou o governo. Há a possibilidade que o ex-ministro dispute uma das vagas ao Senado na chapa do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).
Rosa tem 63 anos. É formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino, em Bauru (SP), e é mestre e doutor em direito do Estado pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Foi integrante do Ministério Público de São Paulo, onde atuou como promotor de Justiça de Direitos Difusos e Coletivos de 2009 a 2012 e como promotor de Justiça e Cidadania de 1986 a 2009.
Também ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo em 2 mandatos consecutivos, de 2012 a 2014 e de 2014 a 2016. Na administração pública estadual, foi secretário de Justiça e da Cidadania de São Paulo de 2016 a 2018 e presidente da Fundação Casa.
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