O governo da Alemanha rejeitou o pedido do presidente dos EUA, Donald Trump (partido Republicano), para que aliados da Otan enviem navios de guerra ao Estreito de Ormuz. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta 2ª feira (16.mar.2026) que o país não participará da guerra liderada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Em entrevista coletiva em Berlim, o chefe de governo alemão foi enfático ao declarar que a questão militar sequer está em discussão, citando impedimentos legais e a falta de coordenação internacional prévia.
O chanceler também ressaltou que EUA e Israel não consultaram o governo alemão antes de iniciar a ofensiva, no final de fevereiro.
As declarações de Merz alinham-se ao posicionamento do seu ministro da Defesa, Boris Pistorius, que questionou a eficácia do envio de fragatas europeias ao Estreito de Ormuz diante do poderio da Marinha norte-americana.
A VERSÃO DE TEERÃ
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, garantiu que Teerã “não vai fechar o Estreito de Ormuz”. No entanto, o diplomata defendeu o direito do país de preservar a segurança na região e culpou a “agressão desestabilizadora” dos EUA e de Israel pela crise.
Apesar do tom diplomático na ONU, o Irã mantém ataques de retaliação com drones e mísseis contra alvos israelenses e bases dos EUA no Golfo. A ofensiva liderada por Washington já teria deixado 1.300 mortos em território iraniano, segundo fontes locais.
ESCALADA NA TENSÃO
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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