O crescimento da economia brasileira de 0,1% no 4º trimestre ante o 3º trimestre de 2025 coloca o país na 39ª posição entre 60 economias no ranking mundial de crescimento. Ao considerar o resultado anual, de 2,3%, que ainda é preliminar, o Brasil sobe para a 35ª posição.
Os dados foram divulgados nesta 3ª feira (3.mar.2026) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e compilados pela Austin Rating. Leia a íntegra (PDF – 2 MB).
Os dados mostram uma clara desaceleração da economia brasileira, segundo Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating. “No consolidado do ano, houve uma desaceleração bastante marcante. A economia cresceu 3,4% no ano anterior e agora se consolidou com 2,3%”, disse.
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o resultado confirma a perda de fôlego ao longo do ano: “Os números do PIB mostram que a economia desacelerou ao longo de 2025, refletindo o impacto dos juros altos, sobretudo nos investimentos das empresas. Ainda assim, a atividade mostrou resiliência”.
Há duas leituras no PIB de 2025, segundo Pedro Ros, CEO da Referência Capital.
- a 1ª é positiva – o país cresceu 2,3% e chegou a R$ 12,7 trilhões, com serviços avançando 1,8%, sinal de modernização e produtividade em partes da economia;
- a 2ª é de prudência – “O consumo das famílias subiu 1,3%, bem abaixo de 2024, e o 4º trimestre mostrou estabilidade, 0,1%, evidência de que juros e incerteza pesaram nas decisões”, disse Ros.
ARREFECIMENTO
Os números fracos devem piorar em 2026, segundo os especialistas. A Austin projeta crescimento de 1,7% em 2026. O C6 Bank também estima alta de 1,7% em 2026 e em 2027. Segundo o Boletim Focus divulgado na 2ª feira (2.mar.2026), o PIB deve subir 1,82% em 2026.
“O agro não deve repetir a bonança de 2025, mas não porque esteja com problemas. Ele parte de uma base muito alta. É natural que desacelere”, disse Sartori. A expectativa é de composição mais equilibrada entre os setores, ainda que com menor expansão agregada.
Claudia Moreno afirmou que o provável início do ciclo de cortes da Selic em março deve aliviar parcialmente as condições financeiras, mas não de forma imediata. “Mesmo assim, os juros permanecerão em patamar elevado, o que deve continuar contribuindo para frear a atividade”, declarou.
GOVERNO COMEMORA
Apesar da desaceleração, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que o resultado mantém a trajetória recente de expansão da economia e destacou o desempenho do campo.
Em publicação nas redes sociais, a ministra declarou: “PIB de 2025 cresceu 2,3%, mantendo a trajetória de expansão nos últimos anos. O agro foi o destaque, com aumento de 11,7%”, escreveu.

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