Atores vencedores do Oscar, Javier Bardem e Tilda Swinton estão entre os mais de 80 profissionais da indústria cinematográfica que assinaram uma carta aberta criticando o Festival de Cinema de Berlim. O documento foi divulgado na 3ª feira (17.fev.2026) e questiona o que os signatários chamam de “silêncio institucional” do evento sobre o conflito na Faixa de Gaza.
A manifestação se dá depois de o diretor alemão Wim Wenders, presidente do júri do festival, declarar que “não pode realmente entrar no campo da política” quando questionado por um jornalista na última 5ª feira (12.fev) sobre o estado atual do mundo e se os filmes podem influenciar mudanças políticas.
Os artistas se declararam “consternados” com o “envolvimento do festival na censura de artistas que se opõem ao genocídio em curso de Israel contra palestinos em Gaza”, segundo o documento publicado pela revista Variety.
A carta foi organizada pelo coletivo Film Workers for Palestine e conta com assinaturas de figuras proeminentes como o diretor britânico Mike Leigh e o norte-americano Adam McKay. Swinton, que recebeu o Urso de Ouro Honorário do festival no ano passado, também integra a lista de signatários.
Os artistas afirmaram “discordar fervorosamente” dos comentários de Wenders, argumentando que cinema e política não podem ser separados.
O documento critica “o papel fundamental do Estado alemão em possibilitar” as ações de Israel.
Quando questionado sobre o apoio da Alemanha a Israel, Wenders disse que cineastas deveriam “ficar fora da política” e fazer “o trabalho das pessoas, não o trabalho dos políticos”.
A integrante do júri Ewa Puszczynska declarou que era “um pouco injusto” esperar que o júri assumisse uma posição direta sobre a questão.
Esses comentários causaram reações negativas. A romancista indiana premiada Arundhati Roy cancelou sua participação no festival, dizendo estar “chocada e enojada” com as declarações dos integrantes do júri.
No sábado (16.fev), o Festival de Berlim divulgou um comunicado defendendo Wenders da “tempestade midiática”, sugerindo que suas observações foram tiradas de contexto.
A diretora do festival, Tricia Tuttle, declarou que os artistas “são livres para exercer seu direito à liberdade de expressão da maneira que escolherem” e não deveriam “ser obrigados a falar sobre todas as questões políticas levantadas a eles, a menos que queiram”.
Em 2024, o prêmio de documentário do festival foi concedido a “Sem Chão”, que acompanha o despejo de comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada por Israel. Autoridades do governo alemão criticaram comentários “unilaterais” sobre a Faixa de Gaza feitos pelos diretores desse filme durante a cerimônia de premiação daquele ano.
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