A farmacêutica alemã Bayer anunciou na 3ª feira (17.fev.2026) uma proposta de acordo de US$ 7,25 bilhões para resolver cerca de 200 mil processos judiciais nos Estados Unidos que dizem que a empresa não alertou as pessoas de que o herbicida Roundup poderia causar câncer.
Segundo a agência AP (Associated Press), a Suprema Corte dos EUA deve ouvir em abril os argumentos da Bayer sobre a tese de que a aprovação do Roundup pela EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) sem um alerta sobre o risco de câncer deveria invalidar as ações judiciais movidas em tribunais estaduais.
O acordo proposto eliminaria parte do risco de uma eventual decisão da Suprema Corte. Os pacientes teriam a garantia de receber a indenização mesmo que a Suprema Corte decida a favor da Bayer. Já a Bayer estaria protegida de custos potencialmente maiores caso a Suprema Corte decidisse contra ela.
A Bayer, empresa alemã que adquiriu a Monsanto, fabricante do Roundup, em 2018, contesta o argumento de que o principal ingrediente do herbicida, o glifosato, pode causar linfoma não Hodgkin. No entanto, a empresa alertou que os crescentes custos legais ameaçam sua capacidade de continuar vendendo o produto nos mercados agrícolas dos EUA.
“A incerteza causada por litígios tem atormentado a empresa por anos e este acordo oferece à empresa um caminho para a sua conclusão”, disse o CEO da Bayer, Bill Anderson, em comunicado.
A proposta de acordo foi protocolada no Tribunal do Circuito de St. Louis, no Missouri, sede da divisão de ciências agrícolas da Bayer na América do Norte e Estado onde muitos dos processos foram instaurados. O acordo ainda precisa da aprovação do tribunal.
Das ações judiciais movidas contra a Bayer, poucas foram a júri, com 13 vereditos favoráveis à empresa e 11 aos pacientes, incluindo uma indenização de US$ 2,1 bilhões concedida por um júri da Geórgia em 2025. Outros casos já foram resolvidos por meio de acordos separados, incluindo 2 recentes que contemplam cerca de 77.000 ações, segundo os documentos judiciais obtidos pela AP.
O acordo atual visa abordar a maioria dos processos judiciais restantes, bem como quaisquer casos adicionais apresentados nos próximos anos por pessoas que foram expostas ao Roundup antes de 3ª feira (17.fev).
A Bayer aceitou fazer pagamentos anuais para um fundo especial por até 21 anos, totalizando até US$ 7,25 bilhões. O valor pago a cada indivíduo depende de como usou o Roundup, da idade em que recebeu o diagnóstico e da gravidade do linfoma não Hodgkin.
Segundo a AP, o advogado Matt Clement, que representa cerca de 280 casos relacionados ao Roundup, disse estar surpreso com a proposta de acordo e declarou que muitos de seus clientes devem optar por não aderir. Segundo ele, os valores propostos “são extremamente baixos”.
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