O Banco Central e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) anunciaram nesta 2ª feira (13.abr.2026) um acordo de cooperação técnica para melhorar o compartilhamento de informações sobre operações de crédito no país. Segundo a autoridade monetária, a melhora se baseia nos marcos legais e regulatórios vigentes.
A autoridade monetária declarou que o aprimoramento informacional dará suporte técnico qualificado às análises e às decisões de natureza macropudencial adotadas por ambas as autoridades, no âmbito de suas competências legais, em prol da estabilidade do sistema financeiro.
O anúncio foi feito depois do Banco Master ter provocado o maior escândalo bancário da história do país, com rombo de R$ 52 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e prisão de empresários, entre eles, Daniel Vorcaro. A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central depois de a autoridade monetária dizer que houve desvio de quase R$ 12 bilhões em carteiras de crédito para maquiar a situação financeira da empresa.
A nota publicada informa que o BC e a CVM vão expandir práticas já existentes. Os Fidcs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios) já enviam informações sobre suas operações de crédito ao SCR (sistema de Informações de Créditos) desde 2012, mas o acordo de cooperação vai uniformizar, qualificar e ampliar o compartilhamento de dados.
O Banco Central receberá dados de outras entidades reguladas pela CVM, como companhias securitizadoras.
“A ampliação e o refinamento desse repositório contribuem para uma visão mais abrangente e integrada do endividamento de pessoas físicas e jurídicas, fortalecendo a capacidade analítica do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários na identificação, no monitoramento e na avaliação de riscos de crédito”, disse a nota do BC. Eis a íntegra (PDF – 77 kB).
Segundo o Banco Central, a melhora no fluxo de informações será um ganho relevante na análise de crédito para securitizadoras e fundos de investimento. O comunicado do BC disse que as novas regras possibilitam o acesso a um conjunto mais completo de informações sobre os devedores, contribuindo para decisões mais seguras e mitigação de riscos.
“Para o mercado financeiro como um todo, a iniciativa tende a reduzir assimetrias de informação e favorecer uma precificação mais adequada do risco de crédito, com potenciais efeitos positivos sobre os custos para os tomadores finais”, disse o BC.
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