O Ministério da Justiça e Segurança Pública inaugurou nesta 4ª feira (25.mar) o Centro Integrado Mulher Segura, parte do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. A estrutura reúne dados de diferentes fontes e coordena a atuação de órgãos de segurança pública e da rede de proteção às mulheres. A sede fica no complexo da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília.
O centro vai produzir inteligência para orientar ações de prevenção e enfrentamento à violência de gênero, além de integrar o trabalho de instituições de segurança e assistência a mulheres em situação de violência.
Durante a inauguração, a primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou que a iniciativa é “um trabalho fundamental” e que, junto ao Ligue 180, permitirá mapear “todas as portas em que a mulher chega: unidades de saúde, centros de assistência social e delegacias”.
O centro funciona todos os dias da semana e conta com 350 atendentes para receber denúncias e prestar atendimento. Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, são registrados cerca de 3.000 atendimentos e 425 denúncias por dia.
“Queria registrar o papel da pessoa que estará sentada nessa cadeira. Isso pode, definitivamente, salvar a vida de mulheres”, declarou a primeira-dama em referência às atendentes do centro.
Já a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que o plano do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio precisa ter “medidas práticas e concretas”. Entre as ações, Gleisi citou uma operação realizada em 6 de março, na qual mais de 5.000 pessoas suspeitas de crimes contra a mulher foram presas. “Foi um feito histórico”, afirmou.
Coordenada pelo MJSP, a operação Mulher Segura mobilizou mais de 38.000 agentes e 14.000 viaturas em 2.050 cidades. Foram destinados cerca de R$ 2,6 milhões para o pagamento de diárias dos agentes.
Entre as ações do centro estão:
- capacitação de profissionais que atuam na proteção às mulheres;
- coordenação de ações integradas;
- operações perenes, constantes e sistemáticas nessa frente;
- metodologia chamada “policiamento orientado pela inteligência”;
- utilização de dados qualificados;
- fusão analítica de todos os dados, com cruzamento de variáveis e identificação de padrões de agressores;
- ação estratégica para cada caso analisado.
Eis os presentes na inauguração:
- Janja Lula da Silva – primeira-dama;
- Wellington César Lima e Silva – ministro da Justiça e Segurança Pública;
- Gleisi Hoffmann – ministra da Secretaria de Relações Institucionais;
- Márcia Helena Carvalho Lopes — ministra das Mulheres;
- Estelizabel Bezerra de Souza – secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do Ministério das Mulheres;
- Chico Lucas – secretário nacional de Segurança Pública;
- Sheila Santana de Carvalho – secretária de Acesso à Justiça do MJSP;
- Maria Rosa Guimarães Loula – secretária nacional de Justiça do MJSP;
- Marta Rodriguez de Assis Machado – secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do MJSP;
- Anchieta Nery – delegado da Polícia Civil do Piauí, diretor de Operações Integradas e Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública;
- Fernanda Antonucci – delegada da Polícia Civil do Amazonas, gestora do Centro Integrado Mulher Segura;
- Bruna Bacelar – chefe do Setor de Políticas em Direitos Humanos da PRF.
PACTO BRASIL DE ENFRENTAMENTO AO FEMINICÍDIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), firmaram o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio em 4 de fevereiro. O documento formaliza compromissos institucionais entre os Três Poderes para enfrentar a violência letal contra mulheres.
Lula apresentou a iniciativa do pacto em dezembro de 2025. A apresentação ocorreu no Planalto, com ministros do STF e integrantes do governo. A ideia partiu da primeira-dama, Janja Lula da Silva, conforme afirmou o próprio presidente.
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