A China repudiou a decisão do governo britânico de bloquear o uso de turbinas eólicas produzidas pela fabricante chinesa Ming Yang Smart Energy em projetos de energia eólica offshore no Reino Unido, argumentando preocupações com a segurança nacional.
Um porta-voz do Ministério do Comércio da China declarou na 3ª feira (14.abr.2026) que a exclusão de produtos chineses pelo Reino Unido contradiz seus princípios de longa data de um mercado aberto e livre, podendo prejudicar as relações comerciais bilaterais. Essa resposta segue um anúncio feito pelo Ministro da Energia do Reino Unido, Michael Shanks, do fim de março, no qual ele confirmou que o governo não apoiaria o uso das turbinas da Ming Yang em projetos de energia eólica offshore.
A disputa ressalta os crescentes desafios geopolíticos enfrentados pelas empresas chinesas de energia renovável na Europa, apesar de países como o Reino Unido estarem lidando com problemas na cadeia de suprimentos que ameaçam suas ambiciosas metas de energia limpa.
Em sua declaração, Shanks disse que vários desenvolvedores entraram em contato com o governo a respeito do potencial uso das turbinas da Ming Yang, que são negociadas na Bolsa de Valores de Xangai. Depois de uma avaliação minuciosa, o governo informou os desenvolvedores sobre sua posição.
Shanks afirmou que o Reino Unido permanece comprometido com a salvaguarda da segurança nacional e com a priorização de uma cadeia de suprimentos resiliente e sustentável para energia eólica offshore, além de acolher investimentos chineses, desde que estejam alinhados aos interesses nacionais.
A Ming Yang esperava usar o Reino Unido como porta de entrada para o mercado europeu, onde os projetos de energia eólica offshore têm sido prejudicados por gargalos na cadeia de suprimentos.
Em outubro de 2025, a empresa anunciou um plano para investir 1,5 bilhão de libras esterlinas (US$ 2 bilhões) na construção da 1ª fábrica de turbinas eólicas totalmente integrada do Reino Unido, na Escócia. O local teria como objetivo produzir turbinas eólicas offshore e flutuantes.
Depois das declarações de Shanks, a Ming Yang divulgou um comunicado, em 27 de março, observando que ainda não havia recebido uma resposta formal do governo britânico sobre seu plano de investimento.
A empresa afirmou que continuaria a dialogar com as autoridades britânicas. Reconheceu também que o projeto está sujeito à aprovação final dos órgãos reguladores, incluindo o governo do Reino Unido e o Ministério do Comércio da China. A Ming Yang alertou que o projeto pode sofrer modificações ou até mesmo ser cancelado devido a fatores geopolíticos e macroeconômicos complexos.
A energia eólica é a maior fonte de eletricidade no Reino Unido. De acordo com o plano de energia limpa para 2030, o governo pretende que as energias renováveis representem mais de 95% da produção de eletricidade do país até o final da década, o que exige que a capacidade de energia eólica offshore cresça de 15 gigawatts para de 43 a 50 gigawatts.
No entanto, os atrasos em projetos de energia eólica offshore nos últimos 2 anos foram atribuídos à escassez de equipamentos e ao investimento insuficiente em infraestrutura.
A rejeição do projeto de Ming Yang coincide com o aumento das tensões comerciais, à medida que os fabricantes chineses de turbinas eólicas expandem sua presença global. Em fevereiro de 2026, a Comissão Europeia iniciou uma investigação aprofundada sobre a fabricante chinesa Goldwind, com base no FSR (Regulamento de Subsídios Estrangeiros).
A Câmara de Comércio da China junto à UE (União Europeia) criticou a decisão do Reino Unido, descrevendo-a como politicamente motivada, sem transparência e potencialmente prejudicial à confiança dos investidores chineses no mercado europeu a longo prazo.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 14.abr.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo
Powered by WPeMatico
