Os combustíveis pressionaram a inflação em março. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o grupo de Transportes teve alta de 1,74% no mês, com destaque para gasolina (4,59%), óleo diesel (13,90%) e etanol (0,93%).
O IBGE divulgou os dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) nesta 6ª feira (10.abr.2026).Eis a íntegra da apresentação (PDF – 709).
A cotação do barril tipo Brent subiu 63,29% em março, saltando de um patamar próximo a US$ 72 para US$ 118. O bloqueio do estreito de Ormuz –rota marítima de 33 km de largura no Oriente Médio– se deu depois do início da guerra do Irã com Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
A alta do petróleo tem efeito sobre os fretes e óleo diesel, com efeito em cadeia em outros produtos, com o encarecimento da logística de transporte.
INFLAÇÃO
A taxa mensal de inflação acelerou de 0,70% em fevereiro para 0,88% em março, o 1º mês depois do início da guerra no Oriente Médio, que resultou na obstrução do estreito de Ormuz, encarecendo a cotação do petróleo no mercado internacional.
Segundo o IBGE, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 3,81% em fevereiro para 4,14% em março. A alta de preços frustra as projeções de fevereiro dos agentes financeiros, que esperavam uma taxa anualizada abaixo de 4% a partir de março.
O conflito piorou as projeções dos agentes financeiros e tem se refletido no IPCA. A taxa mensal de 0,88% de março foi a mais alta para o mês desde 2022.

Em março, o Banco Central disse que a probabilidade de a inflação ficar acima do intervalo da meta de 3% é de 30%. A tolerância é de até 4,5%.
A autoridade monetária disse que os conflitos no Oriente Médio ampliaram as incertezas econômicas e o prolongamento da guerra poderá ter impacto “significativo e duradouro”. Os efeitos possíveis são o enfraquecimento da atividade econômica e o aumento da inflação.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já disse que é preciso “tempo para entender” os impactos da guerra do Oriente Médio na economia para analisar os próximos passos da política monetária. Citou, também, ser preciso ter “movimentos mais seguros” em período de incerteza, mas que o Brasil tem uma “gordura” por ter mantido os juros em nível elevado em 2025.
O Banco Central reduziu de 15% para 14,75% ao ano a taxa básica, a Selic, utilizada como principal ferramenta da política monetária. A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) disse que os próximos passos dependerão da duração do conflito no Oriente Médio.
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