O Conselho Europeu divulgou, na 5ª feira (19.mar.2026), conclusões sobre a situação no Oriente Médio nas quais pede desescalada imediata dos conflitos, respeito ao direito internacional e proteção de civis. O texto afirma que a recente escalada representa uma ameaça à segurança regional e global.
O bloco condenou os ataques militares do Irã contra países da região e pediu a interrupção imediata das ações. Também cobrou que o país respeite a soberania e a integridade territorial de outros Estados, além de cumprir resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O Conselho defende ainda ações coordenadas entre aliados para reforçar sistemas de defesa aérea e o combate a drones.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a situação no Oriente Médio é “extremamente grave” e reforçou a necessidade de contenção e proteção de civis. Segundo ela, a União Europeia já anunciou mais de 450 milhões de euros em ajuda humanitária para a região e mantém apoio a países aliados, especialmente no Golfo.
Von der Leyen também destacou preocupação com o impacto da guerra nos preços de energia, citando a alta recente do gás após ataques a infraestruturas no Catar. A presidente afirmou que o bloco está mais preparado para lidar com eventuais crises migratórias, com fronteiras reforçadas e novos mecanismos legais. “Não vamos repetir 2015”, declarou.
Ela acrescentou que a UE seguirá atuando diplomaticamente para reduzir tensões, evitar que o Irã desenvolva armas nucleares e buscar uma solução duradoura para os conflitos na região.
No campo militar, o bloco indicou que pode ampliar operações navais no Oriente Médio para garantir a segurança marítima e a liberdade de navegação, especialmente no estreito de Ormuz. A conclusão também condena ataques a embarcações e infraestruturas estratégicas, como instalações de energia.
GAZA E CISJORDÂNIA
Sobre o conflito entre Israel e o Hamas, o Conselho Europeu reiterou apoio à solução de 2 Estados e pediu a implementação integral de um cessar-fogo conforme resoluções da ONU. O bloco defende o desarmamento do Hamas, a retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza e o envio de uma força internacional de estabilização.
A União Europeia também pediu que Israel permita acesso imediato e irrestrito de ajuda humanitária à população de Gaza e classificou a situação no território como “catastrófica”. O bloco cobrou ainda a reversão de medidas consideradas ilegais na Cisjordânia e condenou a expansão de assentamentos.
O Conselho também mencionou a necessidade de reconstrução de Gaza e o fortalecimento da Autoridade Palestina, incluindo apoio financeiro e institucional.
LÍBANO E HEZBOLLAH
No Líbano, o Conselho Europeu demonstrou preocupação com o aumento das hostilidades e condenou ataques do Hezbollah contra Israel. O bloco pediu o fim imediato das ações e apoiou esforços do governo libanês para fortalecer as Forças Armadas e ampliar o controle do território.
A União Europeia reiterou apoio à missão de paz da ONU no país, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano, e condenou ataques contra seus integrantes, classificando-os como violações graves do direito internacional.
ESCALADA NA TENSÃO
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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