A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, 51 anos, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), evita negar que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, pagou uma passagem e a estadia dele em viagem para Portugal.
“Fábio não tem relação com o esquema do INSS, só soube do envolvimento de Antonio Camilo Antunes após a exposição da imprensa, não foi seu sócio, não prestou serviços a ele e não recebeu valores”, afirmou o advogado Guilherme Suguimori. Leia a íntegra da nota da defesa (PDF – 89 kB).
O Poder360 antecipou que a PF já quebrou o sigilo fiscal do filho do presidente e está cruzando as informações com as de outros investigados, como o Careca do INSS e a lobista Roberta Luchsinger. O objetivo é ver como foi o fluxo de dinheiro entre contas bancárias de todos os citados.
Este jornal digital também revelou em 4 de dezembro de 2025 que documentos preliminares da apuração da Polícia Federal indicavam que Lulinha pode ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do esquema de desvios de recursos de beneficiários da Previdência Social. O filho do presidente da República nega ter cometido irregularidades.
Há indícios de que o responsável pelo pagamento a Lulinha foi o Careca do INSS. Ele está preso desde 12 de setembro de 2025.
Segundo os jornalistas Luiz Vassallo e Aguirre Talento, Lulinha disse a pessoas próximas que o Careca do INSS pagou sua passagem e hospedagem a Portugal no final de 2024. O filho do presidente teria dito que viajou com Antunes para visitar uma fábrica de produção de cannabis com fins medicinais e negou ter recebido qualquer pagamento do lobista. Ele teria sido convidado a se associar com Antunes no ramo da cannabis, mas a proposta “não se concretizou”.
Lulinha também afirmou ter sido apresentado ao lobista por meio da empresária Roberta Luchsinger, amiga dos dois. Ambos tinham interesse em questões regulatórias da Anvisa com relação à cannabis medicinal.
“Prestaremos esclarecimentos sobre os fatos ao STF, foro adequado para a apuração, motivo pelo qual considero inoportuna a antecipação da discussão de matéria fática no foro público da imprensa”, disse a defesa de Lulinha.
QUEBRA DE SIGILO
Na decisão que autorizou a quebra dos sigilos de Lulinha, o ministro André Mendonça determinou que os provedores de internet nos quais o filho do presidente mantém e-mails preservem os arquivos pelo tempo que for necessário para as investigações.
Mendonça é o relator no Supremo da investigação que apura fraudes de descontos ilegais em pagamentos a beneficiários do INSS. O magistrado chegou ao STF em dezembro de 2021, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Além de relatar a investigação do escândalo do INSS, Mendonça cuida do caso do Banco Master –liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central e suspeito de ter usado títulos de créditos falsos em seus balanços.
A decisão sobre quebra de sigilos requerida pela Polícia Federal coincide com o período em que o presidente Lula passou a falar mais em público sobre seu filho e a suspeita de fraudes no INSS.
ENTENDA
A CPMI investiga suspeitas de fraudes e descontos indevidos em benefícios do INSS. A quebra de sigilo autoriza que a comissão tenha acesso a movimentações financeiras, declarações fiscais e contratos relacionados ao investigado.
Até o momento, não há decisão judicial que atribua crime a Lulinha. A medida integra a fase de coleta de provas no âmbito da comissão parlamentar.
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