O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça afirmou nesta 6ª feira (13.mar.2026) que há indícios da existência de uma organização criminosa armada ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na operação Compliance Zero e preso novamente pela PF (Polícia Federal) em 4 de março.
Segundo a corporação, esse grupo é chamado de A Turma e era responsável por monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro diz desconhecer “por completo a existência de algum grupo de WhatsApp ou de qualquer outra plataforma/aplicativo eletrônico de mensagens com a denominação ‘A Turma’“.
Outro ponto contestado é a remuneração de integrantes da organização. As investigações apontam que o grupo armado receberia cerca de R$ 1 milhão por mês. A defesa afirma que essa hipótese seria “mera ilação, destituída de credibilidade”.
Os advogados também argumentam que não há registros de posse de armas por parte dos investigados no período mencionado nas investigações, o que, segundo eles, afastaria a caracterização de milícias. A defesa também afirma que todos os pagamentos ou transferências bancárias atribuídos ao empresário foram antes da deflagração da 1ª fase da Compliance Zero.
Em seu voto, Mendonça afirmou que o grupo “ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta”.
O ministro disse também que 3 pessoas foram abordadas pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em um carro na altura do km 871 da BR-381. O automóvel era de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, mas era conduzido por outra pessoa. Sicário morreu em 6 de março, depois de ter a morte cerebral declarada.
DEFESA NEGA GRUPO “A TURMA”
Os advogados do empresário contestaram a existência do grupo chamado “A Turma”, citado nas investigações como responsável por executar ações violentas sob ordens do banqueiro.
Segundo a defesa, Vorcaro desconhece a existência do grupo. No recurso apresentado ao Supremo, os advogados afirmam que o empresário “desconhece por completo a existência de algum grupo de WhatsApp ou de qualquer outra plataforma/aplicativo eletrônico de mensagens com a denominação ‘A Turma’”.
A defesa também sustenta que Vorcaro nunca participou de qualquer grupo com essa nomenclatura, nem teria integrado conversas com as pessoas citadas na decisão que determinou medidas contra ele.
Em relação às mensagens trocadas entre Vorcaro e outros investigados, os advogados afirmam que não há registros recentes de contato. Segundo o recurso, não há registros telefônicos posteriores a novembro de 2025 entre o empresário e os demais citados na investigação. A defesa também afirma que não houve conduta posterior atribuída ao empresário contra supostas vítimas mencionadas pela imprensa.
VORCARO PRESO
O fundador do Master está preso na Penitenciária Federal de Brasília, presídio de segurança máxima, para onde foi transferido em 6 de março. Ele está isolado em uma cela de 9 metros quadrados para adaptação. Nesse período de triagem, há espaço para banho de sol individualizado. Não há contato com os outros detentos nem visitas de familiares. Leia a íntegra (PDF – 127 kB) da decisão que autorizou sua transferência.
Após autorização de Mendonça, Vorcaro poderá falar com seus advogados na prisão sem ser gravado. O pedido havia sido protocolado pela defesa do empresário.
“Acolhendo o pedido formulado pela defesa, determino à direção da Penitenciária Federal de Brasília que permita a realização de visitas dos advogados regularmente constituídos nos autos, independentemente de agendamento, sem a realização de qualquer tipo de monitoramento ou gravação por áudio e/ou vídeo”, disse Mendonça. Leia a íntegra da decisão (PDF – 144 kB).
A 2ª Turma do STF tem maioria para manter Vorcaro preso. Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam o relator. Leia a íntegra do voto de Mendonça (PDF – 353 kB). Falta Gilmar Mendes.
3ª FASE DA COMPLIANCE ZERO
Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março, na 3ª fase da Compliance Zero.
A ordem de prisão partiu de Mendonça. Na decisão (íntegra – PDF – 384 kB), o ministro disse que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.
Segundo ele, elementos da investigação indicam que o banqueiro “participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.
Segundo a PF, o esquema investigado apresenta 4 núcleos principais de atuação:
- 1 – núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro;
- 2 – núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de funcionários públicos do Banco Central;
- 3 – núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas;
- 4 – núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
Além de Vorcaro, foram presos:
- Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação;
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado investigado por participar de grupo de monitoramento de adversários de Vorcaro;
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário –ele morreu em 6 de março depois de tentar se matar enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. A corporação não detalhou o que aconteceu.
Powered by WPeMatico
