O capitão Ibrahim Traoré, presidente de Burkina Faso, afirmou que a população deve “esquecer” a democracia, sistema que classificou como responsável por mortes no continente africano. Em entrevista à TV estatal, o militar de 38 anos falou da adoção de um modelo político próprio, baseado em “soberania e patriotismo”, em substituição aos moldes ocidentais.
“As pessoas precisam esquecer a questão da democracia. A democracia não é para nós”, declarou. Traoré disse ainda que pretende substituir a política partidária por outro modelo, mas não detalhou como funcionaria.
“Temos nossa própria abordagem. Nem estamos tentando copiar mais ninguém. Estamos aqui para mudar completamente a forma como as coisas são feitas”, afirmou.
No poder do país africano desde o golpe de 2022, Traoré descumpriu o acordo de devolver o governo a civis em julho de 2024. Em maio, a junta militar estendeu o mandato por mais 5 anos. O regime baniu todos os partidos políticos em janeiro com a justificativa de “reconstruir o Estado”.
Segundo Ibrahim Traoré, as legendas são estruturas “mentirosas” e incompatíveis com o projeto revolucionário em curso no país. A junta disse que a votação para partidos políticos será quando todo o território estiver seguro para votar.
LÍBIA FOI USADA COMO EXEMPLO DE INTERVENÇÃO
O líder citou a instabilidade na Líbia após a queda de Muammar Gaddafi, em 2011, como exemplo de fracasso das intervenções ocidentais. “Olhem para a Líbia, é um exemplo bem aqui ao nosso lado! Em todo lugar em que tentam estabelecer democracia no mundo, isso é feito com derramamento de sangue. Democracia é escravidão”, afirmou.
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