O deputado Alex Manente (Cidadania-SP), presidente do partido, disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido incapaz de conseguir de ampliar a aprovação pelos eleitores.
“As pessoas estão muito conscientes que o governo é apenas uma peça da engrenagem”, disse Manente ao Poder360 na 3ª feira (17.mar.2026). Citou como exemplo da ausência de apoio para o governo no aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5.000.
Assista à entrevista 21min43s
Manente foi eleito presidente do partido em um congresso da sigla em 4 de março de 2026. Quer reforçar a atuação da legenda como oposição ao governo Lula.
Procedimentos anteriores ao congresso são contestados na Justiça. Isso pode afetar o mandato de Manente como presidente e a organização do partido.
Em 2026, uma liminar (decisão judicial provisória) suspendeu os efeitos de uma reunião de fevereiro que marcou o congresso do Cidadania. Na 5ª feira (19.mar) a decisão foi revogada. Há outras ações a serem julgadas.
O partido mudou de nome duas vezes desde a redemocratização. Era o PCB (Partido Comunista Brasileiro). Mudou para PPS (Partido Popular Socialista) em 1992. Tornou-se Cidadania em 2019.
Manente filiou-se à legenda em 1998. Disse que o grupo que se opõe à sua atuação é de pessoas que eram do PCB. “Nunca foi comunista”, disse. O Cidadania tem atualmente uma federação com o PSDB.
A seguir, trechos da entrevista.
- disputas – “O imbróglio que envolveu a Cidadania nos últimos tempos foi iniciado em 2023, quando houve uma ilegítima [retirada] do presidente Roberto Freire. O controle do Cidadania venceu em todas as instâncias. Consolidou-se então esse congresso de 4 de março, o maior da história do partido. Mais de 3.000 pessoas participaram. É um novo ciclo que se inicia sem nenhum imbróglio jurídico”;
- passado do partido – “[A dificuldade] não é sobre o Cidadania nem sobre o partido que o antecedeu, o PPS, é sobre o PCB ainda. Tivemos uma ruptura, porque não representamos mais o sentimento dessas pessoas. Nunca fui comunista, todos os que são eleitos no partido nunca foram comunistas”;
- futuro do partido – “Temos uma missão árdua pela frente, que é manter o Cidadania, um partido de muita história, muita ética, muito respeito, posicionado eleitoralmente com dignidade neste processo de 2026. Estamos levantando todos os nossos representantes em todos os Estados para que tenhamos chapas competitivas”;
- temas – “Emprego e trabalho não existem mais como 20 anos atrás. E o Cidadania, que tem uma geração muito nova, de vereadores mais votados nas grandes cidades do país, pode representar o futuro numa sociedade moderna, inovadora, liberal na economia. Essa defesa está no nosso estatuto”;
- oposição – “O PPS foi o partido que mais combateu o governo Lula 1 e 2. Foi responsável pelos primeiros pedidos de impeachment da presidente Dilma [Rousseff, PT]. Nos contrapomos àquilo que é chamado de esquerda no nosso país. Somos sociais-democratas. Acreditamos numa economia liberal, numa economia enxuta, num Estado com uma máquina pequena e que tenha a capacidade de dar ao cidadão a oportunidade de potencializar seu talento”;
- federação com o PSDB – “Foi homologada em maio de 2022. Temos obrigatoriedade de cumprir os 4 anos para não estar sujeitos a nenhuma punição. Nossa expectativa é que possamos colaborar para que o PSDB se reinvente também, se reposicione. O PSDB teve um grande baque, assim como o próprio Cidadania”;
- meta – “Ter mais de 1.500.000 votos e mais de 5 deputados federais”;
- governo Lula – “É um governo cansado. Prometeu diminuir impostos. Aumentou impostos. Está no limite de entender quais são as perspectivas para o Brasil. Estamos atrasados nos debates sobre regulamentação de aplicativos. A visão do próprio governo é retrógrada, como se nós estivéssemos no século passado, não se olha para frente”.
- dificuldade eleitoral – “O governo tem muitas dificuldades de acertar, mesmo com notícias que se imaginavam que seriam muito importantes. Não simbolizaram como ações do governo. É o caso do aumento da [faixa de] isenção do Imposto de Renda. As pessoas estão muito conscientes que o governo é apenas uma peça da engrenagem. O sistema está desgastado para a sociedade. O desgaste dos demais Poderes impacta quem comanda o país”;
- governo Bolsonaro – “Teve um grande erro, o tratamento do presidente em relação à covid. Isso foi responsável pela não reeleição dele. Mas há coisas que foram positivas para o desenvolvimento do país. Precisamos de uma peça nova para poder encontrar o rumo que o Brasil necessita. Chega de polarização”.
- eleição para presidente – “Não vejo apoio ao presidente Lula na nossa federação. Vejo dentro do PSDB, do próprio Cidadania, pessoas que preferem o Flávio [Bolsonaro, PL] do que o Lula. Mas não significa que querem o Flávio. Ainda é muito incipiente. Há uma ala que defende o Ciro Gomes [PSDB] como candidato presidencial. Pode ser válido, porque ele já foi nosso candidato, do PPS, duas vezes. Foram as duas melhores eleições do PPS para o Congresso Nacional. Certamente, em qualquer pesquisa ele vai estar à frente dos candidatos do PSD. Então ele passa a ser uma 3ª via, mais consolidada”.
- IA na eleição – “O TSE [Tribunal Superior Eleitoral] está jogando pesado. Eu acho oportuno. Conhecemos muito pouco do que é a IA e ainda não sabemos o efeito que pode trazer num processo de escolha soberano da população”.
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