José Dirceu de Oliveira e Silva (PT), ex-ministro da Casa Civil, comemorou seu aniversário de 80 anos nesta 3ª feira (17.mar.2026). Na festa, em Brasília, discursou em tom eleitoral. Disse que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência representa uma ameaça à democracia e à soberania brasileira e pediu uma “revolução política e social” para derrotá-la em 2026.
“Nós temos que dizer claramente para o povo brasileiro, essa não é uma campanha de Lulinha, paz e amor. Essa é uma campanha que nós temos que ganhar a maioria do povo brasileiro. Eu tenho dito e repetido: uma revolução política e social”, declarou.
O petista afirmou que Flávio atua para submeter a soberania brasileira aos Estados Unidos e ao que chamou de “império da guerra”. Segundo ele, seria uma continuidade do projeto de Jair Bolsonaro (PL). “A volta do bolsonarismo chama-se Flávio Bolsonaro”, disse. “Ele tomou um lado no mundo hoje, o lado do Trump, o lado da guerra.”
A presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no evento foi destacada por Dirceu como símbolo do momento político. Para ele, a aliança com o Centrão é necessária diante do que classificou como risco real de o Brasil ser governado pelos interesses de Donald Trump (Partido Republicano), presidente dos EUA.
O ex-ministro declarou ainda que há uma tentativa de apresentar Flávio como uma alternativa moderada, mas afirmou que o senador mantém a “mesma origem golpista” do pai. Disse que o projeto bolsonarista para o próximo ciclo eleitoral é inspirado no modelo de gestão de Javier Milei (A Liberdade Avança, direita), na Argentina, visando à desvinculação do salário mínimo e à redução do papel do Estado na economia.
Dirceu listou o que chamou de programa da direita: congelar o salário mínimo, privatizar o BNDES e a Petrobras e retirar os pisos constitucionais de saúde e educação. “Eles querem regredir o Brasil para o século 19”, declarou.
aposta para a Câmara
Dirceu é pré-candidato à Câmara dos Deputados por São Paulo –uma promessa do partido para ser um grande puxador de votos para a Casa Baixa. O petista usou seu discurso para tratar também da mobilização para o próximo ciclo eleitoral. Defendeu que a campanha de 2026 aborde reformas estruturais profundas, como a mudança na legislação eleitoral e a reforma tributária.
Sobre os casos do Banco Master e do INSS, reconheceu que é preciso ir ao fundo das investigações, mas advertiu que essas pautas não podem desviar o governo do projeto de desenvolvimento nacional.
O ex-ministro, que chegou à 8ª década de vida na 2ª feira (16.mar), reafirmou o que chamou de compromisso da juventude. Disse que sua geração encontrou no PT e em Lula “o fio da história retomado” e encerrou conclamando para a disputa: “Passamos 10 anos tentando desvirtuar a consciência da classe trabalhadora. Nós conseguimos derrotar em 22 e vamos derrotar de novo em 26.”
DIRCEU 80 ANOS
Dirceu ficou 1 ano e 9 meses preso em Curitiba a mando da operação Lava Jato. Foi solto em maio de 2017. Em outubro de 2024, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, anulou todas as condenações da Lava Jato contra o ex-ministro. Com a decisão, ele retomou seus direitos políticos e deixou de ser considerado ficha suja.
A festa de aniversário do ex-ministro aconteceu no Mangai Lago, em Brasília (DF). Reuniu inúmeras autoridades, entre elas ministros do governo e líderes de partidos do Centrão.
Eis a lista de algumas autoridades que participaram:
- Geraldo Alckmin, vice-presidente de ministro da Indústria;
- José Múcio, ministro da Defesa;
- Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos;
- Wolney Queiroz, ministro da Previdência Social;
- Camilo Santana, ministro da Educação;
- Gleisi Helena Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais;
- Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas;
- Jaques Wagner, senador e líder do governo no Senado;
- José Guimarães, deputado federal e líder do Governo na Câmara;
- Lindberg Farias, deputado federal;
- Paulo Pimenta, deputado federal;
- Rui Falcão, deputado federal;
- Odair Cunha, deputado federal;
- Arlindo Chinaglia, deputado federal;
- Ricardo Barros, deputado federal;
- Antônio Brito, deputado federal e líder do PSD na Câmara;
- André Janones, deputado federal;
- Jilmar Tatto, deputado federal;
- Lula da Fonte, deputado federal;
- Benedita da Silva, deputada federal;
- Érika Kokay, deputada federal;
- Camila Jara, deputada federal;
- Elmar Nascimento, deputado federal;
- Carlos Zarattini, deputado federal;
- Leandro Grass, deputado distrital;
- Renan Calheiros, senador;
- Leila Barros, senadora;
- Wadih Damous, presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar;
- Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica;
- Agnelo Queiroz, diretor da Anvisa;
- Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados e diretor de Relações Institucionais do BTG Pactual;
- Luiz Gonzaga Patriota, Gaguinho, ex-deputado federal;
- Marco Aurélio, advogado do grupo Prerrogativas;
- Pierpaolo Cruz Bottini, advogado;
- Luiz Estevão, empresário.
No domingo (15.mar), Dirceu havia feito uma comemoração para cerca de 500 pessoas em um salão nobre no Parque São Jorge, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. Houve a distribuição de ingressos on-line, que foram esgotados.
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