A Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém disse na 2ª feira (2.mar.2026) que “não está em condições, neste momento, de retirar ou auxiliar diretamente os norte-americanos a deixar Israel”. A declaração foi incluída em um alerta de segurança destinado aos cidadãos do país que se encontram em Israel, na Cisjordânia e em Gaza.
“Como resultado da atual situação de segurança em toda a região, a Embaixada dos EUA determinou que os funcionários do governo norte-americano e seus familiares permaneçam em segurança dentro ou próximo a suas residências até novo aviso”, acrescentou o comunicado. Eis a íntegra (PDF – 130 KB).
Segundo a mensagem, o Ministério do Turismo de Israel começou a operar, na 2ª feira (2.mar), traslados até a passagem de fronteira de Taba, principal via terrestre para se deslocar do sul de Israel para o Egito. Para ser incluído no traslado, é preciso fazer o registro em um formulário do Ministério israelense.
“A Embaixada dos EUA não pode fazer qualquer recomendação (a favor ou contra) em relação ao traslado do Ministério do Turismo. Caso você opte por utilizar essa opção para sair, o governo dos EUA não pode garantir a sua segurança”, informou a representação norte-americana. O alerta informa que aqueles que desejarem cruzar para a Jordânia, podem “pegar o traslado até Eliat e continuar de forma independente (de táxi) até a passagem de fronteira Yitzhak Rabin”.
Também na 2ª feira (2.mar), o Departamento de Estado do país pediu que os norte-americanos deixassem imediatamente 14 países do Oriente Médio, incluindo Israel.
Os alertas foram emitidos 2 dias depois de os EUA, em conjunto com Israel, lançarem uma ofensiva militar contra o Irã, que matou o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e diversas autoridades de alto escalão do país. O regime persa prometeu vingança e retaliou, atacando bases norte-americanas no Oriente Médio e nações aliadas.
O governo norte-americano pediu aos cidadãos que utilizassem “os meios comerciais disponíveis” para deixar:
- Bahrein;
- Egito;
- Irã;
- Iraque;
- Israel, Cisjordânia e Gaza;
- Jordânia;
- Kuwait;
- Líbano;
- Omã;
- Qatar;
- Arábia Saudita;
- Síria;
- Emirados Árabes Unidos;
- Iêmen.
A Embaixada norte-americana em Jerusalém também solicitou que os cidadãos norte-americanos mantenham cautela e atenção máxima à própria segurança, tomando conhecimento da localização do abrigo mais próximo em caso de alerta vermelho.
“Incidentes de segurança, como disparos de morteiro, foguetes e mísseis, bem como intrusões de sistemas de aeronaves não tripuladas, frequentemente ocorrem sem qualquer aviso. O ambiente de segurança é complexo e pode mudar rapidamente”, acrescentou.
ATAQUES AO IRÃ
No sábado (28.fev), os EUA e Israel iniciaram uma ofensiva militar contra o Irã. Além de Teerã, capital iraniana, ao menos outras 18 localidades também foram atingidas. O espaço aéreo do país foi fechado.
Entre os locais atingidos estão: Teerã, Abyek, Karaj, Tabriz, Urmia, Kermanshah, Lorestan, Qom, Ilam, Khorramabad, Dezful, Shiraz, Bushehr, Bandar Abbas, Minab, Asaluyeh, Konarak, Chabahar e Isfahan.
No anúncio do início da campanha militar, Trump afirmou que o objetivo era pôr fim ao programa nuclear do regime persa e atuar em defesa dos norte-americanos. Trump também disse que a “a hora da liberdade” dos iranianos estava próxima.
Mais tarde, Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), confirmaram a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, de 86 anos, em 1 dos ataques realizados na manhã de sábado (28.fev) em Teerã. Posteriormente, o governo iraniano corroborou a informação e decretou 40 dias de luto oficial.
Foi formado um conselho composto por 3 integrantes para exercer as funções do líder supremo. Integram o grupo interino o aiatolá Alireza Arafi, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.
ESCALADA NA TENSÃO
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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