O grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, pagou R$ 25,9 milhões à PHB Holding por uma fatia do resort Tayayá, no Paraná. Essa empresa foi responsável por comprar a participação da família de Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, no hotel. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
A reportagem afirma ter mapeado os dados a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras. O documento sinaliza que a J&F fez o pagamento por meio de uma única transferência bancária. A J&F diz não ter nenhum tipo de participação no Tayayá e Toffoli declarou que a operação de venda do hotel foi diretamente com a PHB Holding.
Não há uma data exata de quando a J&F fez o pagamento para a PHB Holding. Segundo o relatório do Coaf, a operação foi realizada no intervalo de 5 de fevereiro a 6 de outubro de 2025. Não há a informação para quem a PHB Holding repassou os valores recebidos. A empresa Maridt, da família de Dias Toffoli, vendeu uma participação de 16% que tinha no Tayayá à PHB em fevereiro de 2025 e não está mais no negócio.
No documento de transferência de dinheiro da J&F para a PHB não há qualquer menção a Toffolli ou à Maridt Participações, a empresa da família do ministro.
A Maridt vendeu sua participação acionária no resort Tayayá para a PHB Holding –que pertence ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que por sua vez tem um escritório em Goiás e presta serviços para a J&F há vários anos. O valor pago foi de R$ 3,6 milhões, segundo documentos obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo.
Em 2021, a Maridt havia vendido parte das cotas do Tayayá ao fundo Arleen, que estava atrelado ao Banco Master, hoje em processo de liquidação extrajudicial, mas que foi fundado pelo empresário Daniel Vorcaro.
O advogado Paulo Humberto Barbosa atuou em causas para os irmãos Joesley e Wesley Batista no Tribunal de Justiça de Goiás e na Secretaria da Fazenda do Estado.
Na Petra Participações, o advogado e empresário é sócio de José Batista Jr., irmão mais velho de Joesley e Wesley, e de Renato Costa, executivo da Friboi –uma das marcas da JBS, subsidiária da J&F.
Em dezembro de 2023, Toffoli suspendeu uma multa de R$ 10,3 bilhões que a J&F pagaria em razão de um acordo de leniência que a empresa firmou com o Ministério Público Federal. Anteriormente, o valor já havia sido reduzido para R$ 3,5 bilhões por decisão judicial. Em fevereiro de 2024, a PGR (Procuradoria-Geral da República) recorreu da decisão de Toffoli.
OUTRO LADO
Em nota encaminhada ao Poder360, o gabinete de Toffoli afirmou que os negócios da Maridt foram feitos só com a PHB Holding e que todas as movimentações financeiras do ministro estão declaradas à Receita Federal.
Eis a íntegra da nota: “O Gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que tem conhecimento pelos administradores da Maridt que a empresa se relacionou exclusivamente com a PHB Holding. E que suas movimentações financeiras estão todas declaradas à Receita Federal do Brasil”.
Ao jornal Estado de S. Paulo, a J&F negou ser sócia do Tayayá e de “qualquer empresa que nele possua participação”. O grupo disse que Paulo Humberto Barbosa “prestou serviços advocatícios ao grupo, especialmente em questões agrárias e tributárias, sobretudo no estado de Goiás”.
“Essa relação comercial começou a ser descontinuada no 2º semestre de 2025, quando as atividades empresariais do advogado começaram a se tornar mais relevantes do que as jurídicas. A relação entre advogado e cliente não se mistura com nenhuma outra atividade desenvolvida por ele”, declarou a J&F.
O advogado Paulo Humberto Barbosa disse ao Estado de S. Paulo que recebeu os R$ 25,9 milhões por meio da PHB holding em razão de serviços advocatícios prestados ao grupo J&F. Mas negou que o pagamento tenha relação com seu negócio com a Maridt.
Também minimizou o fato de as datas coincidirem com a compra de cotas do resort porque, segundo ele, a comercialização se deu em dezembro de 2024.
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