Como estratégia para pressionar a economia global, o Irã bloqueou o estreito de Ormuz –rota marítima de 33 km de largura no Oriente Médio– depois do início da guerra com Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. A república islâmica quer forçar outros países a exigirem o fim dos ataques norte-americanos, já que o bloqueio afeta o transporte de mais de 14 milhões de barris diários de petróleo.
O volume corresponde a 25% do escoamento mundial da commodity. No Brasil, a Petrobras afirma que “possui rotas alternativas à região do conflito” e que isso não afetará o país de maneira abrupta, porque os fluxos de importação são “majoritariamente fora da região de crise”.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou em 6 de março que a empresa tentará evitar o repasse imediato das oscilações do preço do petróleo no mercado internacional aos consumidores brasileiros. Segundo ela, a estratégia é reduzir os efeitos da volatilidade sobre os combustíveis no país.
O aumento do preço do petróleo pode afetar diretamente e indiretamente outros setores da economia global, principalmente na Ásia. Eis os principais itens sob risco de variação de preço:
- combustíveis (petróleo e gás natural);
- geração de energia;
- alimentos;
- produtos químicos e plásticos.
Assista ao vídeo (2min17s):
Leste Asiático e Índia
A China enfrenta o maior impacto em termos absolutos porque lidera as importações globais de petróleo. O país recebe 38% de todos os barris transportados pela rota, com o volume ultrapassando 5 milhões de barris diários.
Os barris escoados por meio do estreito de Ormuz representam cerca de metade de todas as importações chinesas do óleo. O país mantém oleodutos alternativos com a Rússia e países da Ásia Central, mas a dependência do petróleo do Oriente Médio ainda é forte.
No caso do Japão, a dependência da rota marítima é mais acentuada. Aproximadamente 70% das importações japonesas de petróleo atravessam a estreita faixa de água no Oriente Médio. A primeira-ministra Sanae Takaichi (PLD, direita) disse em 2 de março que o país tinha reservas suficientes para aproximadamente 250 dias.
A Índia também sofre consequências severas com o fechamento da passagem. Das importações diárias de 5 milhões de barris, cerca de 2,1 milhões transitam pelo estreito. O bloqueio representa uma ameaça de estrangulamento quase completo para a indústria indiana.
Oriente Médio
Os próprios produtores de petróleo do Oriente Médio enfrentam dificuldades econômicas com o bloqueio.
Só Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque têm infraestrutura para contornar a obstrução e escoar sua produção. Kuwait e Qatar, por exemplo, não dispõem de rotas alternativas para o escoamento de sua produção. Os países enfrentarão problemas ainda mais graves caso o bloqueio total do estreito se mantenha, como é o desejo do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
Powered by WPeMatico
