A Raízen, empresa do setor de energia e combustíveis, protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar mais de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. A companhia, controlada pela Cosan e pela Shell, apresentou o pedido na Justiça de São Paulo com apoio inicial de credores que representam mais de 40% desse passivo.
Em fato relevante divulgado ao mercado nesta 4ª feira (11.mar.2026), a companhia disse que o plano foi estruturado junto aos principais credores e que o objetivo é estabelecer condições jurídicas para negociar ajustes em parte das obrigações financeiras. A declaração foi enviada à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Trata-se do maior pedido de recuperação extrajudicial já feito no país. Estabelece um período de 90 dias para negociação de um plano definitivo de reestruturação com os credores. Nesse intervalo, ficam suspensos os pagamentos de juros e do principal dessas obrigações.
O mecanismo permite que a empresa negocie com um grupo específico de credores e depois leve o acordo para homologação da Justiça. Diferentemente da recuperação judicial, o processo não envolve todas as dívidas da companhia.

Entenda a crise
A deterioração financeira da companhia nos últimos meses pressionou a estrutura de capital da empresa. A Raízen acumulou prejuízos bilionários e aumento expressivo da dívida depois de anos de investimentos elevados.
A dívida líquida chegou a aproximadamente R$ 55 bilhões, enquanto a empresa registrou perdas relevantes em resultados recentes. Condições climáticas adversas e incêndios em lavouras de cana também reduziram a produção agrícola e pressionaram o caixa da companhia.
A companhia também enfrentou rebaixamentos de classificação de crédito por agências de rating em meio ao aumento do endividamento e à expectativa de reestruturação financeira.
Aporte e venda de ativos
Como parte das negociações com credores, os acionistas indicaram a possibilidade de aportar aproximadamente R$ 4 bilhões na companhia. A Shell pode contribuir com cerca de R$ 3,5 bilhões, enquanto um veículo ligado ao empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan, pode aportar R$ 500 milhões.

O plano de reestruturação também pode incluir conversão de parte da dívida em ações, alongamento de prazos e venda de ativos considerados não estratégicos.
A Raízen é uma das maiores companhias de bioenergia do mundo. Criada em 2010 a partir da união de ativos da Cosan e da Shell, atua na produção de açúcar, etanol, bioenergia e distribuição de combustíveis.

Leia a íntegra da nota da Raízen
“A Raízen informa que protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial, voltado à reorganização de parte de suas obrigações financeiras junto a credores da companhia.
“O plano foi estruturado com determinados credores financeiros e tem como objetivo estabelecer um ambiente jurídico adequado para a negociação e implementação de ajustes em determinadas obrigações financeiras, no âmbito da estratégia da companhia de otimização de sua estrutura de capital.
“A companhia destaca que o processo de recuperação extrajudicial não envolve obrigações com fornecedores, parceiros comerciais ou funcionários, que continuam sendo honradas normalmente.
“A Raízen reafirma seu compromisso com a continuidade de suas operações e com a criação de valor sustentável para clientes, parceiros e demais partes interessadas.”
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