Uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, que está sendo planejada para os próximos dias, segundo o jornal digital Axios, deve acontecer nos mesmos moldes da incursão que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) em Caracas, em 3 de janeiro. O ataque ao país sul-americano foi de curta duração e feito principalmente por vias aéreas.
Há mais chances de que uma possível ofensiva liderada pelo presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), contra o território iraniano seja curta –e não de longo prazo, como é o caso da guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas na Faixa de Gaza. Assim como na captura de Maduro, que o tirou do poder, um dos objetivos de Washington é derrubar o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei –que está no comando do país desde 1989.
Em entrevista ao Poder360, Sarit Zehavi, presidente do thinktank internacional Alma, explica que há possibilidade de que os Estados Unidos ataquem de maneira rápida e por meio de ofensivas aéreas, com suporte das FDI (Forças de Defesa de Israel). A possibilidade de uma incursão por meio de tropas no solo é baixa. O Irã, por sua vez, pode tentar responder aos ataques com apoio da Guarda Revolucionária –que responde diretamente ao aiatolá– e do grupo extremista libanês Hezbollah.
“Eu acho que um cenário mais provável seria que Israel ajudaria nos bastidores e que os Estados Unidos liderariam o ataque. E então o Irã responderia. […] Aqui surge uma grande questão: se o Hezbollah também se envolver. Se o Hezbollah também se envolver, fica claro que será um jogo totalmente diferente, porque Israel responderá contra o Hezbollah”, afirma.
Para ela, uma das principais consequências do ataque seria uma possível situação de instabilidade no Irã por um período de tempo, que pode durar de meses a anos, principalmente por causa da falta de liderança entre a oposição no país. Isso acontece em razão da forte influência da Guarda Revolucionária, que sustenta parte significativa do regime.
“É como escolher entre uma opção ruim e outra opção ruim. Não atacar significa que o Irã continuará seu projeto de mísseis balísticos, e já vimos os efeitos devastadores quando eles são lançados. [O país] tentará ao máximo renovar o seu projeto nuclear, o que levará mais tempo”, diz Zehavi.
ATAQUES AÉREOS
Atualmente, os Estados Unidos mantêm 36 bases militares no Oriente Médio, onde tropas, equipamentos, unidades da Força Aérea e frotas da Marinha estão posicionadas em caso de uma incursão militar. Desde o início de fevereiro, o governo Trump intensificou a campanha de “pressão máxima” para impedir o avanço do programa nuclear do país.
A presença militar norte-americana se estende por países como Egito, Jordânia e Israel, onde há intensificação recente das atividades. Segundo monitoramento do Poder360 com base em informações do serviço de rastreamento ADSBx, os EUA têm mobilizado aeronaves da Força Aérea para cruzar o Oceano Atlântico em direção à Europa e Oriente Médio desde o início do mês.
Da tarde da 5ª feira (19.fev) à noite de 6ª feira (20.fev), pelo menos 30 delas fizeram o mesmo trajeto: saem da Europa, sobrevoam os espaços aéreos do Egito e de Israel (e em alguns casos, da Jordânia) e retornam ao ponto de partida. Quase todos os aviões usados nestas operações são do modelo Boeing C-17A Globemaster III. A aeronave não é projetada para combate, mas sim para transportar soldados ou carga –podendo levar até 102 soldados e paraquedistas; ou até 77,5 toneladas de carga distribuídas em 18 paletes militares.
Neste momento, conforme noticiado por veículos de mídia internacionais, é quase certo que haverá ataques ao Irã em um momento próximo.
De acordo com Sarit Zehavi, caso os Estados Unidos optem por não realizar uma ofensiva militar, a imagem construída por Trump poderia ser prejudicada. O gesto é visto como um dos compromissos mais importantes para que o presidente seja percebido como um aliado firme de Israel.
“A reputação que Trump construiu nos últimos anos como um homem de palavra e como alguém com quem não se deve mexer será gravemente prejudicada. E a mensagem para os terroristas [sic] ao redor do mundo será de que o Ocidente é fraco. Isso pode resultar, no futuro, em ações do Irã ou de outros atores radicais islâmicos contra sociedades ocidentais, não apenas no Oriente Médio, mas também no próprio Ocidente”, afirma.
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