Os Estados Unidos mantêm 36 bases militares no Oriente Médio, onde tropas, equipamentos, unidades da Força Aérea e frotas da Marinha estão posicionadas em caso de uma incursão militar –como há chances de acontecer com o Irã. Desde o início de fevereiro, o governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano) intensificou a campanha de “pressão máxima” para impedir o avanço do programa nuclear do país.
As forças norte-americanas mantêm na região bases navais, aéreas e militares, além de instalações conjuntas —compartilhadas por mais de uma Força. Washington exerce controle total ou parcial sobre essas estruturas, que abrangem desde portos até centros logísticos e um laboratório de pesquisa.
A presença militar norte-americana se estende por países como Egito, Jordânia e Israel, onde há intensificação recente das atividades. Na região, os maiores contingentes de instalações estão concentrados na Arábia Saudita e em Omã, com 6 bases cada; seguidos por Iraque e Kuwait, com 4 cada.

Segundo Sarit Zehavi, presidente do thinktank internacional Alma Center, é provável que ataques norte-americanos sejam feitos por meio de vias aéreas. De todas as instalações que o país mantém no Oriente Médio, 19 delas são bases aéreas.
“Um cenário mais provável seria que Israel ajudaria nos bastidores e que seriam os Estados Unidos a liderar o ataque. E então o Irã responderia. E quando o Irã responder, ele responderá contra Israel”, disse em entrevista ao Poder360.
Para Zehavi, o conflito não deve se estender –como é o caso do conflito entre Israel e o grupo extremista Hamas na Faixa de Gaza. Uma das principais diferenças entre as ofensivas é a improbabilidade de ataques por meio de tropas no terreno no Irã.
Além do reforço aéreo, em 12 de fevereiro, o governo dos EUA enviou o navio USS Gerald R. Ford para o Oriente Médio, que é considerado o maior porta-aviões do mundo. A embarcação será integrada ao grupo de ataque do USS Abraham Lincoln, que já opera no Golfo Pérsico.
MOVIMENTAÇÃO AÉREA
Segundo monitoramento deste jornal digital com base em informações do serviço de rastreamento ADSBx, os EUA têm mobilizado aeronaves da Força Aérea para cruzar o Oceano Atlântico em direção à Europa e Oriente Médio desde o início de fevereiro. Da tarde da 5ª feira (19.fev) a noite de 6ª feira (20.fev), pelo menos 30 delas fizeram o mesmo trajeto: saem da Europa, sobrevoam os espaços aéreos do Egito e de Israel (e em alguns casos, da Jordânia) e retornam ao ponto de partida.
Quase todos os aviões usados nestas operações são do modelo Boeing C-17A Globemaster III. A aeronave não é projetada para combate, mas sim para transportar soldados ou carga –podendo levar até 102 soldados e paraquedistas; ou até 77,5 toneladas de carga distribuídas em 18 paletes militares.
Em alguns casos, estes aviões se aproximaram da instalação Muwaffaq Salti Air Base, localizada na Jordânia. Quando as aeronaves se aproximam desta localização, o sistema de radar ADS-B (Vigilância Dependente Automática por Difusão) é desligado. Esse é um protocolo padrão das Forças Armadas dos EUA, feito para evitar que rotas e movimentações estratégicas fiquem visíveis.
Outros 2 aviões menores também foram usados; dessa vez para sobrevoar o espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos, onde os EUA têm controle sobre a instalação Al Dhafra Air Base –localizada a 370 km em linha reta da Bandar Abbas, no sul do Irã. Em uma destas operações, realizada na tarde da 6ª feira (20.fev), a aeronave BEECH 200 Super King Air –usada para tarefas de monitoramento regional– se aproximou do limite com o espaço aéreo iraniano.
Segundo o jornal digital Axios, a partir da 3ª feira (17.fev), 50 caças dos modelos F-35s, F-22s e F-16s seguiram para a região. Tendo em vista essa movimentação, Washington considera direcionar um ataque contra líderes do regime iraniano, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei –com o objetivo de derrubar o regime do país, de acordo com informações da Reuters.
Sem consenso, os EUA e o Irã mantêm conversas intermitentes sobre um acordo nuclear há meses. Trump retomou tentativas de acordo nuclear com Teerã desde que reassumiu a Casa Branca, mas as negociações não avançaram.
Na 5ª feira (19.fev.2026), Trump disse que teve “boas conversas com o Irã”, mas insistiu que os 2 países precisam chegar a um consenso. Durante a reunião inaugural do Conselho da Paz, no Instituto de Paz, em Washington, o mandatário afirmou que saberá, em 10 dias, se deve “dar um passo adiante ou talvez não”.
O republicano reforçou que não aceita que Teerã tenha armas nucleares, e que o país é “um ponto crítico” neste momento. Trump esteve próximo de atacar o Irã no início de janeiro por causa da morte de manifestantes pelo regime iraniano. Os protestos motivados por queixas econômicas.
PROGRAMA NUCLEAR DO IRÃ
A tensão em torno do programa nuclear iraniano cresceu após os Estados Unidos deixarem, em 2018, um acordo de 2015 que limitava o enriquecimento de urânio em troca da suspensão de sanções. Desde então, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã ampliou suas atividades, passou a usar centrífugas mais avançadas e enriquece urânio a até 60%.
Isso reduziria o tempo estimado para obter material para uma arma nuclear de cerca de 1 ano para semanas. Isso intensificou a preocupação de aliados norte-americanos no Oriente Médio, especialmente Israel, que afirma não permitir que Teerã desenvolva capacidade nuclear militar.
Em junho de 2025, Washington bombardeou instalações nucleares iranianas, durante o conflito de 12 dias entre Irã e Israel.
À época, Israel atacou oficiais militares iranianos, cientistas nucleares, instalações atômicas e áreas residenciais no Irã. Os Estados Unidos posteriormente se juntaram à campanha militar.
Em resposta, o Irã realizou ataques com drones e mísseis contra alvos israelenses e atingiu a maior base militar norte-americana no Oriente Médio, localizada no Catar.
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