Apesar da retração em volume, a receita cambial avançou 12,7% no período, chegando a US$ 1,1 bilhão, impulsionada pela alta nas cotações internacionais.
IMPACTOS DO TARIFAÇO
O recuo já era esperado pelo setor, que vinha de embarques recordes no ano passado e enfrentou uma safra menor. O impacto foi intensificado pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump às exportações brasileiras de café.
Em agosto, os Estados Unidos deixaram de ser o maior comprador do café brasileiro, com importação de 301.000 sacas, 46% a menos que no mesmo período de 2024 e 26% inferior a julho de 2025.
O posto passou para a Alemanha, que comprou 414.000 sacas.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, destacou que a taxação norte-americana também afetou os preços internacionais.
De 7 de agosto (quando entrou em vigor a tarifa) até o fim do mês, o café arábica subiu 29,7% na bolsa de Nova York, saindo de US$ 2,978 para US$ 3,861 por libra-peso.
“Os fundamentos já são favoráveis para a alta há algumas safras, com oferta e demanda muito ajustadas ou mesmo com déficit de oferta, devido a adversidades climáticas nos principais produtores, em especial no Brasil, mas o tarifaço desordenou o mercado e deu abertura para movimentos especulativos”, declarou.
Segundo ele, se a medida persistir, além de inviabilizar exportações para os EUA, os consumidores americanos enfrentarão preços mais altos, já que não há oferta alternativa suficiente no mercado.
Eis abaixo os principais números do acumulado do ano (jan-ago/2025):
- exportações totais: 25,323 milhões de sacas, queda de 20,9% em relação a 2024;
- receita cambial: recorde de US$ 9,67 bilhões.
Principais destinos:
- EUA – 4,03 milhões de sacas (-20,8%);
- Alemanha – 3,07 milhões (-32,9%);
- Itália – 1,98 milhão (-23,6%);
- Japão – 1,67 milhão (+15,6%);
- Bélgica – 1,51 milhão (-48,3%).
TIPOS DE CAFÉ
O café arábica liderou as exportações, com 20,209 milhões de sacas, seguido por canéfora (2,57 milhões) e café solúvel (2,508 milhões). O café torrado e moído somou 36,7 mil sacas.
Os cafés diferenciados, certificados por práticas sustentáveis ou qualidade superior, representaram 20,1% dos embarques, com 5,1 milhões de sacas e receita de US$ 2,178 bilhões, aumento de 54,2% na comparação com 2024. Os EUA continuam como maior comprador desses produtos.
PORTOS
O Porto de Santos continua como principal exportador, com 20,31 milhões de sacas (80,2%) nos oito primeiros meses de 2025.
O complexo portuário do Rio de Janeiro embarcou 4,01 milhões de sacas (15,8%), enquanto Paranaguá registrou 245,1 mil sacas (1%).
