O Ministério da Fazenda avalia que as medidas adotadas para conter os impactos da guerra sobre os preços dos combustíveis podem ajudar a manter a inflação sob controle e abrir espaço para a continuidade da queda da taxa Selic. A avaliação é da secretária de Política Econômica, Débora Freire, em entrevista ao Valor Econômico publicada nesta 2ª feira (13.abr.2026).
“É importante entender também que estamos diante de um choque de oferta, e os juros, nesse caso, podem não ser um instrumento efetivo”, disse ao jornal.
Segundo Freire, a alta do petróleo tem efeitos distintos sobre a economia. Pode impulsionar a atividade e a arrecadação, mas também pressiona cadeias produtivas ao elevar custos de insumos como fertilizantes e derivados.
Apesar disso, a Secretaria de Política Econômica avalia que não há necessidade de novas medidas no momento. A alta de alimentos registrada em março foi considerada sazonal. No caso dos fertilizantes, o governo também não vê necessidade de ação adicional.
Em março, a projeção oficial fixava o barril do tipo Brent em US$ 73,09. Em fevereiro, a estimativa era de US$ 65,97.
CRÉDITO E ENDIVIDAMENTO
A secretaria também estuda medidas para reduzir o endividamento de famílias e empresas. A estratégia é substituir dívidas com juros mais altos por linhas mais baratas, com apoio de fundos garantidores.
No caso das famílias, haverá condicionalidades para evitar novo ciclo de endividamento. Entre os exemplos citados está a restrição ao uso de crédito para apostas on-line.
Freire afirmou que a combinação de juros elevados e expansão do crédito reduziu a renda disponível das famílias. A renegociação das dívidas pode liberar recursos na economia, o que, segundo ela, é compatível com o atual ciclo de flexibilização monetária.
“O objetivo é diminuir a pressão que as famílias têm atualmente, mas não necessariamente ampliar o endividamento”, disse ao Valor. Para empresas, especialmente micro e pequenas, o foco também será o reescalonamento de dívidas. Segundo a secretária, parte dessas companhias tem recorrido a crédito fora dos programas oficiais, com custos elevados.
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