A Fifa (Federação Internacional de Futebol) afirmou no sábado (28.fev.2026) que seu objetivo é manter a “participação de todos” na Copa do Mundo deste ano, depois dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã.
O torneio será sediado na América do Norte –nos EUA, no Canadá e no México– e a seleção iraniana foi classificada pela 4ª vez consecutiva em março de 2025, por meio das Eliminatórias Asiáticas.
O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, falou a jornalistas sobre a participação do Irã no contexto do conflito durante reunião do Conselho da Associação Internacional de Futebol, realizada no País de Gales.
“Eu li as notícias assim como vocês nesta manhã [de sábado]. Tivemos uma reunião hoje e seria prematuro comentar em detalhes”, afirmou, de acordo com o jornal norte-americano New York Times. “Mas, é claro, vamos monitorar os desdobramentos em relação a todas as questões ao redor do mundo”.
E acrescentou: “Tivemos o sorteio final em Washington, com a participação de todas as equipes e, naturalmente, nosso objetivo é realizar uma Copa do Mundo segura, com a participação de todos”.
A previsão era que o Irã disputasse a fase de grupos em junho contra a Nova Zelândia e a Bélgica, em Los Angeles (Califórnia) e contra o Egito, em Seattle (Washington). A base da seleção seria no Kino Sports Complex, em Tucson (Arizona).
A participação iraniana foi colocada em dúvida pelo presidente da federação de futebol do país. Mehdi Taj afirmou no sábado (28.fev) em entrevista à emissora estatal IRIB Tehran, citada pelo jornal esportivo espanhol Marca, que a presença da seleção na Copa do Mundo é “improvável”.
Segundo Taj, “com tudo o que aconteceu hoje e com esse ataque dos EUA, é improvável que possamos esperar pela Copa do Mundo. Mas são os dirigentes esportivos que devem decidir sobre isso”.
Ele também confirmou que o campeonato do país está suspenso por tempo indeterminado.
ATAQUES AO IRÃ
No sábado (28.fev.2026), os EUA e Israel iniciaram uma ofensiva militar contra o Irã. Além de Teerã, capital iraniana, ao menos outras 18 localidades também foram atingidas. O espaço aéreo do Irã foi fechado.
Entre os locais atingidos estão: Teerã, Abyek, Karaj, Tabriz, Urmia, Kermanshah, Lorestan, Qom, Ilam, Khorramabad, Dezful, Shiraz, Bushehr, Bandar Abbas, Minab, Asaluyeh, Konarak, Chabahar e Isfahan.
No anúncio do início da campanha militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que o objetivo era pôr fim ao programa nuclear do regime persa e atuar em defesa dos norte-americanos. Trump também disse que a “a hora da liberdade” dos iranianos estava próxima.
Mais tarde, Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), confirmaram a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, de 86 anos, em 1 dos ataques realizados na manhã de sábado (28.fev) em Teerã. Posteriormente, o governo iraniano corroborou a informação e decretou 40 dias de luto oficial.
Foi formado um conselho composto por 3 integrantes para exercer as funções do líder supremo. Integram o grupo interino o aiatolá Alireza Arafi, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.
ESCALADA NA TENSÃO
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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