O prefeito de Porto Alegre (RS) e presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, Sebastião Melo (MDB), afirmou, nesta 4ª feira (8.abr.2026), que o fim da escala 6 x 1 pode gerar impactos diretos nas obras públicas e nas finanças municipais.
Segundo ele, as prefeituras mantêm uma grande quantidade de serviços terceirizados e a mudança na jornada resultaria em mais custos com a folha de pagamento e o aumento de prazos para entrega de obras.
Durante o evento da FPE (Frente Parlamentar do Empreendedorismo) com a FCS (Frente Parlamentar de Comércio e Serviços), o prefeito disse que a mão de obra terceirizada representa cerca de 50% do custo de obras como redes de esgoto, extensão de água e pavimentação. Assim, qualquer alteração na jornada tende a elevar os gastos, seja pelo aumento do número de funcionários, seja pelo pagamento de mais horas.
O presidente da frente afirmou que esse cenário deve pressionar os contratos já firmados. Segundo o prefeito, a tendência é que as empresas contratadas repassem os custos adicionais aos municípios, o que ampliaria despesas não previstas.
Melo declarou ainda que os orçamentos municipais são definidos de forma anual, sem margem para absorver mudanças no meio do exercício. Para ele, uma alteração desse tipo “desarranja” as contas públicas e pode levar a atrasos em pagamentos e serviços.
O prefeito citou possíveis efeitos em áreas como saúde e funcionalismo, com risco de impacto no atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e no pagamento de servidores, caso os municípios tenham de arcar com custos extras sem previsão orçamentária.
IMPACTO NO COMÉRCIO
O presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), João Galassi, disse que se não houver uma desoneração ou uma contrapartida, as pequenas empresas terão um custo adicional maior do que as grandes.
“A outra maneira seria compensar de alguma forma na tributação da folha, para que esse pequeno possa contratar um funcionário a mais e compensar essa jornada”, disse Galassi.
Ele defende uma proposta em que o trabalhador e as empresas tenham a flexibilidade de trabalhar por hora contratada.
“Eu não preciso mais me preocupar com a escala a partir do momento em que eu trabalho por hora, porque a jornada pode ser ajustada semanalmente. Ela não precisa ser algo assim fixado. Esse é um ponto. Com relação à redução do número de horas, nós só temos uma grande dificuldade”, declarou.
Já o consultor da Associação Nacional de Restaurantes, Rafael Cardoso, afirmou que há preocupação com o aumento de custos e o risco de ampliação da informalidade. Para ele, a elevação de despesas tende a ser repassada aos preços, reduzindo o poder de compra dos trabalhadores.
Cardoso disse que, nesse cenário, parte dos empregados pode buscar renda extra na informalidade ou em aplicativos. Segundo ele, o fim da escala 6 x 1 pode elevar a folha de pagamento de bares e restaurantes entre 30% e 33%, a depender do tipo de operação.
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