O faturamento de shoppings centers pode cair até R$ 32,2 bilhões em 1 ano com o fim da escala 6 X 1, segundo estudo elaborado pela Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers) com análise da consultoria econômica Tendências. Eis a íntegra do estudo (469 kB –PDF).
Os shoppings centers faturaram R$ 200,9 bilhões em 2025. Segundo a pesquisa, os ganhos cairiam para R$ 186,2 bilhões em apenas 1 ano se a jornada de trabalho caísse de 44 para 40 horas semanais.
Caso a jornada fosse para 36 horas por semana, o faturamento diminuiria para R$ 168,7 bilhões, ou seja, haveria uma queda de R$ 32,2 bilhões em relação aos ganhos de R$ 200,9 bilhões de 2025.
O presidente da Abrasce, Glauco Humai, afirmou em entrevista ao Poder360 que a proposta de redução da escala de trabalho e fim da 6 X 1 é “avassaladora” e causará um impacto no setor comparável ao que houve na pandemia em 2020. Segundo a associação, em 2019 o faturamento dos shoppings foi de R$ 192,8 bilhões e, em 2020, caiu para R$ 128,8 bilhões. Os ganhos do setor subiram nos anos seguintes e em 2024 chegaram a R$ 198,4 bilhões, já superando o valor pré-pandemia.
Segundo Humai, porém, com a redução da jornada de trabalho, não haverá essa recuperação que houve depois da pandemia. “Durante 5 anos depois do fim da escala 6 X 1 haverá queda de faturamento em relação ao ano antes da implementação. Como se um meteoro tivesse caído no setor”, afirmou.
Estudos para a mudança
O presidente da Abrasce declarou que a associação não é contra o fim da escala 6 X 1, mas disse que é preciso realizar estudos que mostrem a viabilidade econômica da mudança.
“Os trabalhos têm que melhorar suas condições. O que discordamos é a maneira como está sendo feito. Queremos discutir mais, fazer implementações pilotos, entender melhor o impacto, testar cenários”, declarou Humai.
O presidente da Abrasce disse que um bom teste piloto seria se algumas empresas se voluntariassem para implementar a diminuição da escala por 3 ou 2 anos para ver o impacto na receita, nos empregos e na própria loja.
“A medida que está em discussão agora impacta renda, empregos e afeta todo o ecossistema, lojistas, consumidores e fornecedores. Lojas vão fechar, pessoas vão ficar desempregadas, muita gente estará na informalidade e o preço dos produtos vai aumentar”, afirmou Humai.
Segundo o presidente da Abrasce, é preciso ter uma infraestrutura econômica e política para implementar a redução da jornada. “É uma discussão fora de momento. Talvez quando o Brasil tiver uma qualificação da mão-de-obra melhor e o cenário econômico global estiver melhor. Eu acho que o momento é ruim internamente e externamente”, afirmou.
O estudo da associação mostrou também que a redução da jornada de trabalho reduzirá os empregos em até 26,8% no 1º ano.
“Os custos trabalhistas no Brasil são pesados para quem emprega e aumentar 2 ou 3 empregados para quem já tem 2 ou 3 é pesado. Ou o empregador vai demitir, ou vai contratar na informalidade, ou vai fechar a loja dele”, afirmou Humai.
Segundo Humai, a proposta “empurra” todos os setores para automatização e isso diminui o emprego. “Se o lojista tem um funcionário no caixa, ele vai preferir contratar um caixa automático que pode trabalhar 24 horas por dia 7 dias por semana. A proposta está acelerando um processo de mecanização”, disse.
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